Monitoramento das emissões de CO2 no Grupo Tribuna começou em 2022 com assessoria da Via Green (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Com mudanças simples, mas planejadas, o Grupo Tribuna cortou pela metade sua emissão de gás carbônico em um ano. As emissões de dióxido de carbono (CO2), gás que contribui para o efeito estufa e as mudanças climáticas, somaram 121 toneladas em 2023, e caíram para 58 toneladas em 2024, reflexo de medidas sustentáveis aplicadas nas rotinas internas da empresa. O dióxido de carbono não é gerado apenas na combustão dos veículos ou em atividades mais pesadas como indústrias e transporte rodoviário. Esse processo também se dá na utilização de energia elétrica, na geração de esgoto, no abastecimento da frota de carros e também no descarte de resíduos. O monitoramento das emissões de CO2 no Grupo Tribuna começou em 2022, com a assessoria da Via Green, consultoria ambiental. Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, explica que, mensalmente, as informações são inseridas em uma plataforma de controle, que avalia cinco aspectos ambientais estratégicos: pegada hídrica, eficiência energética, efluentes líquidos, resíduos sólidos e emissão de gases de efeito estufa (GEE). Parceria com cooperativa ampliou destinação correta dos recicláveis (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Gestão melhorada Em 2023, no fechamento do relatório ambiental do Grupo Tribuna, foi apurada a emissão de 121,21 toneladas de CO2 na atmosfera. No ano passado, várias medidas foram adotadas para reduzir esse resultado: substituição da gasolina pelo etanol no abastecimento de todos os veículos da frota, compra de energia no mercado livre de fontes renováveis e o manejo mais controlado dos resíduos, com campanhas de conscientização sobre consumo consciente e destinação adequada dos materiais recicláveis. O resultado foi positivo: 58,39 toneladas, uma redução superior a 50%. Marcos Clemente Santini, diretor-presidente do jornal A Tribuna, acrescenta outras medidas que se somam a esses indicadores, como redução do consumo de papel nas rotinas da empresa, uso racional de copos descartáveis (de papel) e também as ações de sustentabilidade nas provas esportivas, como os 10 KM, que vai ocorrer no próximo dia 18. “Há anos já não usamos mais embalagens plásticas na entrega das camisetas e todos os copinhos de água são destinados à reciclagem”. Roberto Clemente Santini, diretor-presidente da TV Tribuna, destaca que as ações do Grupo Tribuna estão em sintonia não apenas com as demandas do mundo pela sustentabilidade, mas também alinhadas às próprias diretrizes da Rede Globo, que adotou o slogan “Menos é Mais” em suas campanhas de conscientização ambiental e descarbonização. “Ao lado de projetos que lançamos para valorizar a sustentabilidade no universo empresarial, como Agenda e Prêmio ESG, também implementamos essas medidas internamente. É nossa responsabilidade”. Conrado Bertolucci, fundador e CEO da Via Green (Divulgação) Mudança climática não espera, diz consultor e especialista Conrado Bertolucci, fundador e CEO da Via Green, consultoria que apura e monitora os indicadores do Grupo Tribuna, diz que “quando o tema é a mudança do clima, não há mais espaço para negacionismo”. Ele entende que todas as empresas, independentemente de tamanho ou atividade, têm sua responsabilidade porque geram emissão de gases de efeito estufa. “Conhecer esse impacto, identificar as fontes e quantificar essas emissões é fundamental. Este diagnóstico é chamado de inventário de emissões e cada vez mais as organizações vêm sendo cobradas para darem transparência do quanto estão emitindo e o que estão fazendo para reduzir”. Para Conrado, que assessora empresas do setor portuário e de outros segmentos na região e na Capital, o tema da descarbonização das atividades ainda é desconhecido por muitas empresas, por isso entende que dar início a esse processo nem sempre é fácil, mas destaca o papel da alta liderança das empresas nesse processo. “Esse posicionamento deve ser estruturado e transversal dentro da organização para gerar um efeito positivo em cadeia, não pode ser uma ação isolada dentro de um departamento específico. A busca pela prestação de serviço ou venda de um produto com baixa emissão deve estar no planejamento estratégico da companhia. Cada vez mais as pessoas querem trabalhar com propósito, em empresas que prezam pela saúde e bem-estar do colaborador e do planeta”. Investimentos Para uma jornada bem-sucedida, diz Conrado, “é importante entender que este é um processo evolutivo. Realizar um diagnóstico bem feito e desenvolver um processo de gestão contínua é o primeiro passo: direcionar esforços para onde realmente importa e avaliar os resultados. Tenho visto ações desordenadas, altos investimentos sendo realizados em iniciativas que geram mais marketing do que redução de emissões. O mercado está amadurecendo”.