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Segunda-feira

17 de Junho de 2019

Grupo arrecada guarda-chuvas para ajudar a driblar o frio

Telas de produtos são utilizadas na confecção de sacos de dormir

Procura-se costureiro voluntário! O objetivo é solidário: reaproveitar a tela de guarda-chuvas velhos ou quebrados para fazer sacos de dormir para moradores de rua, em Santos. De olho no inverno, o grupo Alimenta Santos tem se esforçado para alcançar a meta inicial de confecção de 55 unidades de sacos de dormir. Até o momento, apenas 15 foram produzidos, mas há muita disposição para aumentar esse número.

“Não fui eu quem descobriu essa possibilidade. Eu me inspirei em um trabalho feito em São Paulo, na região do Mercadão, que foi tema de uma reportagem do programa Mais Você, da Ana Maria Braga, na Globo, há uns três anos”, comenta a líder do Alimenta Santos, Maria Elisabete Nunes Alegria Moreno, a Bete Alegria, de 58 anos.

Simplicidade

Segundo Bete, a confecção dos sacos de dormir é bem simples. O número de unidades prontas só não é maior por depender da doação de guarda-chuvas e da mão de obra de costureiras voluntárias.

“Fizemos um vídeo mostrando como funciona essa ideia e ele viralizou nas redes sociais, em especial no WhatsApp. Recebi mensagens até do Amazonas, com pessoas querendo ajudar. Conseguimos vários pontos de coleta de guarda-chuvas (confira lista de endereços ao lado) para alcançarmos nosso objetivo”, diz.

Idealizadora do projeto, Bete explica que, quando pega os guarda-chuvas, desmonta todos, aproveita a tela e doa a ferragem a moradores de rua que vão a ferros-velhos. 

“Alguns deles carregam bastante papelão nas costas para ganhar R$ 0,15 por quilo. Qualquer troco que entra já ajuda, pois eles estão em situação de risco. Claro que existem pessoas que usam o dinheiro para beber, mas não é fácil enfrentar tudo o que elas enfrentam na rua. A sociedade não entende”, afirma.

Alimentação

O trabalho do Alimenta Santos teve início em julho do ano passado. Mas, no começo, não foi possível colocar o projeto dos sacos de dormir em prática.

De lá para cá, o grupo se reúne toda quarta-feira para levar comida para as pessoas em situação de rua. Começam na Avenida Afonso Pena, entram no Canal 5, perto do BNH, voltam para a Avenida Pedro Lessa, seguem para a Rua Santos Dumont, Avenida Rodrigues Alves e Rua 28 de Setembro. O término do itinerário é na esquina da Rua Campos Mello com a Avenida Campos Salles.

“Sempre levamos sopa, macarrão, arroz com frango, achocolatado, água refrigerada, café com leite. Atendemos entre 50 e 55 pessoas. Infelizmente, existe muito preconceito. Muitas pessoas acham que eles estão na rua para se drogar, mas tem muita gente com idade avançada no meio, ou até famílias. Ninguém está ali por querer”, considera.

SERVIÇO – As pessoas interessadas em costurar devem entrar em contato com Bete, pelo telefone (13) 99688-9601.