Feira livre semanal das quintas-feiras no Embaré, em Santos: quem vende relata dificuldades, e clientes vão do conformismo à indignação (Vanessa Rodrigues/ AT) As manhãs frias da Avenida Pedro Lessa, no Embaré, em Santos, não afugentam os consumidores mais fiéis da feira livre que ocupa parte da via às quintas-feiras. Mas o clima altera o que se encontra nas bancas — e quanto se paga. Entre aumentos, quedas e oscilações de oferta, os feirantes relatam que o inverno é uma estação de incertezas para quem vive da terra. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Tem verdura que baixa porque o povo não come salada no frio”, diz Elza Okida, comerciante de 66 anos. “Outras, como couve-flor e brócolis, se desenvolvem melhor nesta época. A gente vende três pés de alface por R\$ 10,00. Chegou a estar R\$ 5,00 cada na semana passada.” Além da temperatura, o custo de transportar frutas e legumes a Santos tem pressionado o valor final. “A maioria vem de longe: Bahia, Goiás, Tocantins. O pedágio e o diesel estão caríssimos”, reclama Gilcimar Alves do Nascimento, de 40 anos. Ele destaca a manga como maior exemplo. “Três semanas atrás, pagava R\$ 30,00, R\$ 35,00 na caixa. Agora, está R\$ 70,00. Dobrou. A gente vendia por R\$ 7,90 o quilo. Hoje, está R\$ 12,00. E com lucro apertado.” A banana também encareceu, segundo Silvany Ribeiro, de 38 anos e feirante há 12. “É entressafra. Frio e geada afetam a roça. A plantação está demorando para cortar. Subiu só R\$ 1,00 por enquanto, mas deve aumentar.” Hortaliças e raízes Na barraca de Mirian Sugano, de 42 anos, a mudança de preços é seletiva. “Tudo que está acima da terra sofre com o frio. Pepino, abobrinha, vagem. Cenoura, batata-doce e inhame mantêm o preço, porque estão embaixo da terra.” Segundo ela, o tomate, que geralmente encarece no inverno por amadurecer mais devagar, tem preço estável agora graças ao tipo rasteiro, colhido entre março e julho. “Está R\$ 7,00 o quilo. O italiano, entre R\$ 8,00 e R\$ 10,00.” Mirian diz manter o padrão dos produtos mesmo com a alta dos custos. Consumidores Do lado do consumidor, os relatos vão do conformismo à indignação. Nilda Rodrigues Alves, de 83 anos, vai à feira toda quinta. “Está tudo caro para quem vive de pensão, mas vem se mantendo. Laranja está R\$ 10,00 a dúzia faz tempo, maracujá e abacaxi também. Qualidade? Depende da barraca.” Irineu Jacinto, de 74 anos, aponta alta em tudo. “Cada vez que venho é mais caro. Paguei R\$ 10,00 no tomate. Está bom? Não está. Mas a qualidade é boa.” Para Rosa Maria, de 66 anos, a sensação é de que nada está em conta. “Morango a R\$ 10,00, couve a R\$ 7,00. No mercado paguei R\$ 2,99. Antigamente, eram dois quilos de morango por R\$ 10,00. Hoje, um só.” Ela conta que até a duração das frutas muda no frio. “A banana dura mais em casa. Mesmo assim, não vi nada barato hoje. Só o abacate, que está a quatro por R\$ 10,00, melhorou.”