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Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Fazer teste para coronavírus fica mais difícil em Santos

Exame RT-PCR voltará a ser realizado pelo laboratório estadual Adolfo Lutz, em São Paulo, que tem regras mais rígidas

Os moradores de Santos terão mais dificuldade para conseguir fazer o teste RT-PCR, considerado o mais eficaz para a detecção do coronavírus em pacientes com sintomas. Isso porque o exame, feito a partir da coleta de secreções da nasofaringe (nariz a garganta) com um cotonete, voltará a ser de responsabilidade do Governo do Estado, por meio do Instituto Adolfo Lutz, na Capital. E os critérios exigidos são mais rigorosos do que os da Prefeitura.  

Nos últimos três meses, qualquer santista com algum sintoma poderia ir em uma policlínica e fazer o RT-PCR, que era analisado em laboratório particular, contratado pela Prefeitura. Segundo a Administração Municipal, o contrato com o Laboratório Centro de Genomas, de São Paulo, previa até 20 mil exames, ao valor unitário de R$ 150,00 (total de R$ 3 milhões), e está próximo do final. Já foram mais de 19 mil.  

Agora, com o protocolo do governo estadual, o RT-PCR só deve ser feito em pacientes com quadro respiratório agudo, febre e mais um sintoma, além de pessoas com síndrome respiratória aguda grave (falta de ar) ou em quem tem fatores de risco, como doenças crônicas associadas. A coleta das amostras deve ocorrer, obrigatoriamente, entre o 3º e o 7º dia após o início dos sintomas. 

O secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, explica que, embora a avaliação do caso e a coleta do exame sejam feitas por um profissional do Município, é preciso preencher um questionário com o relato do paciente, que será encaminhado ao Adolfo Lutz. Se os critérios não forem atendidos, o laboratório devolve a amostra sem processá-la.  

“A gente fez lá atrás o contrato com o laboratório privado porque o Adolfo Lutz não estava dando conta. Ele mesmo habilitou outros laboratórios e incentivou as prefeituras a fazer contratos. Fizemos uma tomada de preços e contratamos o Genomas. Foi o menor preço ofertado, R$ 150,0 por exame, valor bem competitivo. Nem em Santos encontramos mais barato”. 

O secretário explica que já foram pagos R$ 986,7 mil ao laboratório, do total de R$ 3 milhões. A intenção agora, diz ele, é evitar novos gastos e confiar que os resultados não vão demorar como no início da pandemia: o Estado demorava até 15 dias para enviar um laudo.  

 “Será uma transição. O Adolfo Lutz diz que tem capacidade de resposta em um tempo pequeno. Se não cumprir, podemos ver outra forma, como aditar o atual contrato em 25% ou fazer nova contratação. Do ponto de vista técnico, não temos nenhuma restrição ao Lutz, é extremamente competente. A nossa preocupação é o tempo de resposta”.  

Estado afirma que dará conta 

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que a Plataforma de Diagnósticos de Coronavírus, coordenada pelo Instituto Butantan, foi criada para otimizar capacidade diagnóstica da covid-19 no SUS em São Paulo.  

“A rede é composta por 50 laboratórios habilitados e tem capacidade de processamento de até 8 mil amostras por dia gratuitamente. Por meio dela, há oferta de exames e laboratórios à disposição das 645 cidades com plena capacidade de atendimento e emissão de resultados em até 48 horas”.  

Protocolo estadual para teste: 

Síndrome gripal: quadro respiratório agudo com febre, acompanhada de tosse ou dor de garganta ou coriza ou dificuldade respiratória. 

Síndrome respiratória aguda grave (SRAG): síndrome gripal que apresente desconforto respiratório ou pressão persistente no tórax ou saturação de oxigênio (O2) menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada dos lábios ou rosto. 

Crianças: além dos sintomas anteriores, também são observados nelas os batimentos de asa de nariz, cianose (coloração azul-arroxeada da pele), esforço para respirar, desidratação e falta de apetite. 

Para os demais casos de síndrome gripal, é realizado o diagnóstico laboratorial nas pessoas com condição de risco, como doenças crônicas. 

 

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