Família de Santos pede ajuda para tratamento de gato com doença causada pelo coronavírus

O filhote Abu foi adotado após ser abandonado 'para morte' em cemitério

Por: Ágata Luz  -  18/01/22  -  10:41
Atualizado em 19/01/22 - 14:58
O gato foi diagnosticado quando ficou internado após emagrecer muito
O gato foi diagnosticado quando ficou internado após emagrecer muito   Foto: Arquivo Pessoal

Responsável pela pandemia e mortes de mais de 600 mil brasileiros, o coronavírus também oferece risco ao mundo animal. Uma família de Santos luta para conseguir tratamento para o gato filhote Abu, que foi diagnosticado com Peritonite Infecciosa Felina (PIF) - doença causada por uma mutação do vírus felino.


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A auxiliar administrativo Mariana Marques Machado Mola, de 33 anos, conta que adotou o animal em uma feira de adoção em outubro de 2021, quando o filhote - cego de um olho - tinha de sete a nove meses. Segundo Mariana, ele tinha sido abandonado 'para morte' em um cemitério de Santos junto com outro gato, que a família também adotou e batizou de Aladdin.


"Abu já veio ceguinho de um olho, ele estava na feira de adoção há um um bom tempinho. Ninguém olhava para ele por ser cego e ter uma respiração mais funda", explica, dizendo que o animal foi resgatado para adoção como vítima de maus tratos.


Mesmo sabendo que a cegueira era irreversível, Mariana e o marido decidiram adotar os dois gatos. De acordo com ela, apesar de Abu ser mais quieto, ele se adaptou à casa. No entanto, o animal começou a parar de comer e emagrecer muito em dezembro.


"E mesmo fazendo acompanhamento na veterinária por conta da cegueira, a gente ficou com medo de passar para o outro olho", relata Mariana, que resolveu levar o animal de estimação em uma oftalmologista, que avaliou Abu e afirmou que o gato podia ter uma doença sem cura. Segundo Mariana, a profissional explicou que a solução era tratamento paliativo, pois ele iria morrer logo.


Abu ficou meses para adoção
Abu ficou meses para adoção   Foto: Arquivo Pessoal

"Eu já fui colocando na minha mente que ia perder o meu filho. É uma sentença de morte", explica a tutora do filhote, que passou a dar medicação para Abu não sentir dor. Porém, no dia 1º de janeiro de 2022, o gato passou a cambalear e mal ficava de pé.


Com ajuda de uma protetora de animais, a família internou o gato e durante a internação, o filhote foi diagnosticado com a PIF. "Falaram que ele tem todos os requisitos de PIF e que não existe tratamento liberado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)", diz a auxiliar administrativo, que também foi alertada sobre um tratamento experimental que curou vários gatos.


A moradora de Santos também soube de um grupo sobre gatos com PIF e, ao entrar em contato, descobriu que as medicações custavam em torno de R$20 mil a R$30 mil. "Ouvir isso é uma loucura. Eu fiquei pensando que já devia na veterinária. Não tenho como pagar R$30 mil. De onde vou tirar? Não tenho reserva e tenho dois filhos na escola".


Mobilização por Abu

A família chegou a pensar em desistir, mas passou a ter mais esperanças ao ver a história de outro felino com a mesma doença vencer a PIF com doações. "Entraram anjos na minha vida", relembra Mariana, ao dizer de amigas que passaram a dar ideia de criar redes sociais para pedir ajuda e rifas para custear o tratamento.


"Hoje está uma movimentação incrível de pessoas, de compartilhamentos e amor ao próximo. Seja doação de um real ou centavo, ajuda muito", ressalta, explicando que pessoas de outras cidades também ofereceram ajuda.


Agora, Mariana luta para salvar o gato que é cego do olho esquerdo e possui inflamação no direito, pois não pensa em desistir de nenhuma forma. "Ele precisa viver, ele pode viver e eu peguei como meu filho. É mais forte do que eu. Preciso ajudar", finaliza.


Para colaborar com o tratamento de Abu, basta entrar em contato com a tutora - que realiza diversas rifas - pelo telefone (13) 99108-7545.


O filhote é cego do olho esquerdo e tem inflamação no direito
O filhote é cego do olho esquerdo e tem inflamação no direito   Foto: Arquivo Pessoal

PIF

A médica veterinária Thalita De Noffri explica que a Peritonite Infecciosa Felina é uma doença que acomete gatos jovens com menos de três anos que geralmente vivem em gatis ou na rua.


"É causada pela mutação do coronavírus felino e pode se apresentar de dois jeitos: a forma efusiva é mais comum", explica a profissional que atende em Mongaguá, no litoral paulista. De acordo com ela, o exame para fechar o diagnóstico pode ser realizado por meio do líquido drenado do abdômen, quando o gato apresenta aumento na região.


"Outros sintomas também podem ser percebidos como falta de apetite, febre, dores nas articulações, lesões oculares (oftalmopatias), dificuldade de respirar e alterações neurológicas, como desordens ao andar", relata, dizendo que a PIF também pode se apresentar como uma simples diarreia e, desta forma, passar despercebida pelo tutor.


Além disso, Thalita ressalta que também há muitos gatos assintomáticos, mas que podem transmitir a doença. "O gato se contamina pela ingestão do vírus, por exemplo: um apresenta diarreia e elimina o vírus pelas fezes, mas outro animal saudável pisa nas fezes e acaba se lambendo ao fazer a higienização".


Segundo a profissional, a prevenção acontece por meio da higienização das caixas de areia e quintais, pois o vírus pode sobreviver de 24h a 48h no ambiente, e sete semanas nas fezes ressecadas.


"A PIF é fatal em muitos casos. Porém, há pouco tempo médicos veterinários e proprietários podem ter um pouco de esperança sobre a cura", ressalta a veterinária sobre um medicamento que interrompe a replicação do vírus. Ela enfatiza que durante o tratamento, o proprietário do animal doente deve ser atencioso e cuidar bem da alimentação e ingestão de água do felino, além de manter a temperatura e o peso do gato monitorados com exames periódicos.


Thalita explica que o tratamento é de alto custo, por isso, a melhor alternativa é sempre a prevenção.


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