Família de gaviões adota a Praça da Aparecida como lar em Santos

Segundo a vizinhança, já foram avistados até cinco pássaros do tipo; pombos são prato predileto dessa espécie

Como em quase todo templo católico, no topo da Igreja da Aparecida tem uma cruz. Até aí, nada de mais. Mas o símbolo de fé tem se transformado também em pouso para um, dois, três e até quatro gaviões, que fizeram da praça em frente, a da Aparecida, a sua morada. 

“Tem uns cinco. Tô aqui há um ano e meio, eles já estavam e até deram cria. Ficam no topo da igreja, só de olho em beija-flor, pombo...”, conta Luciane Galucci, 49 anos, dona da banca de jornais que fica na praça, bem em frente à igreja. 

Desmatamento na Mata Atlântica é o responsável pela migração dessas avesPara ela, a presença dos vizinhos inusitados tem relação com os desmandos do ser humano na natureza. “A gente tá acabando com tudo, olha lá na Amazônia e no Pantanal. Os bichos acabam vindo pra cá”. 

Pelas contas de Walter dos Santos, de 55 anos, esses bichos, no caso os gaviões, vieram para a praça há cerca de dois anos. “Já os vi depenando um pombo. E um outro morreu envenenado, porque comeu um rato”, afirma, sem piscar. 

Além de ratos e pombos, beija-flores e cotovias, há histórias até do ataque de um dos gaviões a um pequeno cachorro, que passeava na coleira com sua dona. Há 34 anos com sua barraca de ovos na lateral da praça, também quase em frente à igreja, Walter é taxativo: “Tá difícil até pra gavião”. 

A Reportagem procurou por entre as árvores da praça algum indício do ninho, mas em vão. Contudo, flagrou aquele solitário gavião da cruz, que a princípio parecia uma estátua, de repente alçar um voo fulminante no encalço de um pardal. É incerto se o gavião obteve sucesso na busca pelo café da tarde: os dois pássaros sumiram por entre a folhagem. 

Sem risco

Luciane, a dona da banca, não deixa de ter razão quando credita ao ser humano a presença dos gaviões no bairro. Só que eles não vêm de tão longe quanto do Pantanal ou da Amazônia. 

Segundo o veterinário Eduardo Filetti, intervenções na Mata Atlântica, o seu habitat próximo, fazem com que os gaviões, e os falcões, procurem refúgio em outros lugares. De preferência, com comida farta. 

“Eles são predadores de pombos. Onde houver comida, lá estarão. Agora, cachorro, só se for muito pequenino”. 

Os gaviões, assim como os pombos, dão várias crias por ano. A princípio, Filetti não crê que sua presença possa diminuir a população de pombos. “Não há um número muito grande”. Ele tranquiliza: gaviões não oferecem risco ao ser humano. Aliás, ocorre o contrário. “O ser humano é o predador deles, ao desmatar e acuá-los”. 

 

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