(Alexsander Ferraz/AT) “Santos é uma cidade que possui todos os elementos necessários para se consolidar como um destino turístico de excelência, mas que ainda não conseguiu articular adequadamente seus ativos para maximizar o potencial econômico e social do setor. A infraestrutura hoteleira consolidada, a rede de serviços estabelecida e a conectividade privilegiada com São Paulo criam condições ideais para o desenvolvimento de múltiplos segmentos turísticos. No entanto, a falta de articulação entre esses elementos e a ausência de uma estratégia integrada de desenvolvimento impedem que Santos capitalize plenamente suas vantagens competitivas.” Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A frase acima está na página 54 de um amplo e detalhado estudo feito por uma equipe multidisciplinar especializada em metodologia, comunicação estratégica e inovação, contratada pela Associação Comercial de Santos para diagnosticar os pontos fortes, fracos e os desafios de um dos potenciais da Cidade — o turismo, que, depois do Porto, é o maior gerador de Imposto sobre Serviços (ISS) no Município. O estudo é um dos três eixos escolhidos pela ACS para compor a estratégia de atuação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Santos (Condesan), criado dentro da Associação Comercial em 2019. Também há estudos concluídos nas áreas de educação e sobre o Parque Tecnológico. Dados Para chegar a um diagnóstico e apontar caminhos, os técnicos coletaram dados mundiais, de Brasil e da Cidade, evidenciando que o momento é favorável para o desenvolvimento de atividades locais. “O momento atual é particularmente favorável para esta transformação, considerando a recuperação do turismo global pós-pandemia, o crescimento do turismo doméstico brasileiro e as tendências emergentes que valorizam experiências autênticas e destinos responsáveis. Santos tem a oportunidade de posicionar-se estrategicamente neste cenário”, aponta o estudo. -Turismo (1.476125) Entrevistas Além dos dados, a equipe também foi a campo fazer entrevistas qualitativas com empresários e gestores responsáveis por oito segmentos ligados ao turismo: Eventos, Turismo Esportivo, Convention & Visitors Bureau, Câmara de Turismo da ACS, Afroturismo, Turismo de Cruzeiros, Secretaria de Turismo e outros profissionais que trabalham na área. “As pesquisas nos fornecem uma visão mais ampla e específica dos que atuam diretamente com o turismo. Junto com os dados que coletamos, são fundamentais para tornar o estudo mais completo”, diz mestre em Tecnologia e Semiótica e sócio da Atobá Lab - Pesquisa e Inovação André Luís Reis Santos. Da equipe, também fizeram parte as professoras e pesquisadoras Lívia Soares Buendia, Fabiana Golz Ribeiro Pereira e Maristela de Carvalho Gamba. Capacidade local está subutilizada Depois de compilar todos os pontos apontados nas pesquisas qualitativas, o consenso geral de gestores, empresários e responsáveis diretos pela atividade é de que Santos não utiliza todo o seu potencial turístico. A Cidade dispõe de infraestrutura adequada, localização estratégica privilegiada e diversidade de atrativos que não são devidamente aproveitados ou promovidos. Motivos para esse cenário também estão apontados no relatório, divididos em três categorias que limitam o desenvolvimento turístico de Santos: questões de percepção e imagem, deficiências em qualificação profissional e problemas de coordenação institucional. “Cada uma dessas categorias apresenta características específicas que exigem abordagens diferenciadas, mas todas estão interconectadas e se reforçam mutuamente”, revela o estudo. Problemas distintos A partir das entrevistas com especialistas e agentes do trade turístico, identificaram-se consensos fundamentais sobre os principais gargalos e oportunidades para o desenvolvimento do segmento (veja ilustração). Entre as questões mais urgentes, destacam-se a necessidade de capacitação profissional, a revitalização do Centro Histórico, a integração entre os setores público e privado e a diversificação da oferta turística, indo além do tradicional turismo de praia. Além disso, os entrevistados apontaram a descontinuidade administrativa como um obstáculo recorrente, enfatizando a importância de políticas de Estado que garantam a permanência de projetos estratégicos. A modernização tecnológica, a segmen-tação de públicos e a valorização de experiências autênticas também surgem como fatores essenciais para atrair diferentes perfis de turistas e fortalecer a identidade local. Problemas cotidianos, como falta de segurança e de estacionamento para ônibus, também foram apontados. () Agora, serão definidas estratégias A partir das constata-ções obtidas nessa primeira fase, o Condesan agora vai traçar as estratégias de atuação para cada um dos desafios apontados, explica o presidente da Associação Comercial de Santos, Mauro Sammarco, que encomendou os estudos à equipe de especialistas. Mais de 320 ações foram identificadas como necessárias para corrigir as diferentes categorias de problemas: capacitação, experiência, comunicação, infraestrutura e tecnologia. Impacto do turismo Sammarco pondera que, quando se fala em turismo, há mais de 570 atividades diretas e indiretas impactadas. “Muitas pessoas não têm a dimensão desse potencial e de quanto podemos crescer com um planejamento estratégico focado nas soluções e melhorias”, diz. “Turismo é também muito mais que praia, orla, alta temporada.” Sammarco destaca uma das conclusões do estudo: “O sucesso das iniciativas propostas para Santos depende fundamentalmente de um modelo de governança colaborativa que integre setores público, privado e comunidade local. Esta abordagem alinha-se com as melhores práticas internacionais e garante sustentabilidade a longo prazo.”