Estudante de 17 anos flagrou o animal em cima de um poste após o ataque no Boqueirão, em Santos (Arquivo pessoal) Um estudante de 17 anos foi atacado por um gavião enquanto seguia para a escola na manhã desta segunda-feira (20), em Santos, no litoral de São Paulo. O ataque aconteceu na Avenida Washington Luís, Canal 3, e reacende o alerta sobre a presença das aves de rapina na região. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Rafael Fernandes Martinez relatou para A Tribuna que estava a caminho do Colégio Canadá, onde estuda no bairro Boqueirão, quando levou o golpe repentino do gavião. O momento, de acordo com o estudante, foi rápido e inesperado. “Eu senti uma pancada forte na cabeça. No início, pensei que alguém tivesse jogado alguma coisa em mim. Quando saí da escola, fui com mais dois amigos ver o que tinha me acertado. Já sabia que era um pássaro, mas não sabia que era um gavião”, conta. Apesar do ferimento não ter sido profundo, o ataque deixou dois pequenos cortes no couro cabeludo do jovem, que procurou atendimento médico na Policlínica do Gonzaga para tomar a vacina antitetânica. Ele afirma que sua cabeça ainda está dolorida, mas já sente sinais de melhora. Espécie territorial Segundo o biólogo Eric Comin, os gaviões registraram aumento de população em zonas urbanas devido à perda de seus habitats. Ainda de acordo com o biólogo, com a diminuição de áreas naturais, essas aves passaram a fazer ninhos em árvores de rua, postes ou até em prédios. O especialista destaca que o gavião é bastante territorial e defende ativamente o ninho, especialmente durante o período reprodutivo. “Não é um animal agressivo sem motivo, ele só está defendendo o espaço e os filhotes”, diz. Outros casos Nos últimos meses, outros moradores de Santos relataram episódios de ataques de gaviões. Em julho, uma mulher de 39 anos também foi atacada no mesmo cruzamento, enquanto caminhava pelo bairro. O golpe deixou um corte de um centímetro na cabeça, e ela precisou receber atendimento médico. No mesmo mês, um drone foi derrubado por um gavião durante uma gravação aérea no Canal 3. O corretor de imóveis que operava o equipamento relatou que a ave atingiu o aparelho três vezes, causando prejuízo de cerca de R\$ 200. Também em julho, um turista de 42 anos foi atacado enquanto passeava com a família pelo Gonzaga. Ele relatou ter sentido uma forte pancada na cabeça e procurou a Policlínica do bairro, onde tomou as vacinas antitetânica e antirrábica por precaução. Outro caso foi o de Victor Alschefsky, de 30 anos, que teve parte da orelha arrancada após um ataque na Praça Palmares, também no Boqueirão. O gavião chegou a investir duas vezes contra ele. “Eu caí de joelhos de tanta força. Depois, o animal voltou a me atacar quando tentei sair do prédio”, contou na ocasião. Posicionamento Em nota enviada para A Tribuna, a Prefeitura de Santos informou que “o Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM) realiza buscas por gaviões em locais mencionados pela população para verificar se o comportamento agressivo das aves com humanos está relacionado à presença de ninhos e filhotes”. Segundo a Administração Municipal, quando confirmada a presença das aves, o Grupamento e a Polícia Ambiental são acionados para avaliar o animal e o ambiente e, se houver necessidade, encaminhá-lo para o Centro de Tratamento e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), do Orquidário Municipal. Os casos podem ser comunicados à GCM pelo telefone 153 (24h) ou à Polícia Ambiental pelo telefone 190. “Vale informar que o manejo de ninhos de animais silvestres só é permitido, pela legislação federal, em casos onde não há filhotes, nem ovos. Os ninhos não ocupados só podem ser removidos após monitoramento e constatação de que estão sem a presença de ovos ou filhotes”, destaca a nota. Ainda de acordo com a Prefeitura, nestes casos, a retirada deve ser feita por alguma instituição que trabalhe com fauna de vida livre após aprovação em pedido de licença para manejo, para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura. A respeito dos recentes casos envolvendo visualização de gaviões em alguns pontos da cidade, a Prefeitura recomenda que os munícipes evitem a aproximação das aves e não deixem restos de alimentos nas proximidades dos locais de incidência, pois atraem presas (ratos e pombos, por exemplo) e, consequentemente, amplia a oferta de alimentos para os gaviões.