O vídeo foi gravado no dia 5 de junho, mas só viralizou dez dias depois, no dia 15 (Arquivo pessoal/Lorenna Leite) Uma maçã servida no Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Santos, no litoral de São Paulo, virou símbolo de um problema que, segundo estudantes, é mais comum do que se imagina. A fruta estava com sinais de mofo e foi registrada pela aluna Lorenna Leite, de 20 anos, que publicou o vídeo nas redes sociais. O conteúdo viralizou e já ultrapassa a marca de 1 milhão de visualizações. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Eu produzo conteúdo para as redes sociais. E nesse dia, despretensiosamente, decidi gravar minha rotina de alimentação lá na Unifesp. Nem é meu tipo de conteúdo, mas por acaso gravei e acabei registrando essa situação”, contou Lorenna, que está no 5º semestre do curso de Educação Física. O vídeo foi gravado no dia 5 de junho, mas só viralizou dez dias depois, no dia 15. A repercussão surpreendeu a estudante. “Achei que ia ficar restrito somente ao público que já me acompanha, mas acabou alcançando muitas pessoas, que puderam compartilhar a situação delas com os Restaurantes das suas respectivas universidades. Muita gente já passou por situações parecidas ou até piores”, relatou. -maçã mofada Unifesp (1.466630) Apesar de considerar seu caso “relativamente leve”, por se tratar de uma fruta perecível, Lorenna mencionou outros episódios mais graves ocorridos recentemente no restaurante da Unifesp. “Teve aluno encontrando parafuso e pedra na comida. Por causa disso, até rolaram mobilizações para cobrar melhorias da empresa terceirizada, que é a responsável pela alimentação”, afirmou. Além do susto, a estudante também usou o alcance do vídeo para chamar atenção à importância do restaurante universitário para a permanência estudantil. “Muitos alunos dependem do restaurante todos os dias, de dia e de noite, e isso define a permanência de muitos estudantes. Se não tem esse apoio básico, não tem universidade. Mas só porque é básico não significa que tem que ser de qualquer jeito. Tem que ser de qualidade.” Atualmente, o restaurante universitário cobra R\$ 2,50 por refeição para estudantes e R\$ 12,50 para visitantes. Na ocasião do vídeo, Lorenna estava acompanhada do namorado, que pagou o valor cheio para almoçar no local. Apesar da repercussão positiva entre estudantes de diferentes universidades, a postagem também gerou críticas. “Teve gente que não se conformou com minhas reclamações, acham que é para aceitar só porque custa R\$ 2,50. Mas o problema não é o valor, é a qualidade do que está sendo servido.” O que diz a Unifesp? A respeito deste tema, a Unifesp informou que no jantar deste dia, quando foram servidas maçãs de sobremesa, uma única fruta das mais de 200 refeições servidas apresentou esse aspecto interno embora a aparência externa da maçã estivesse "absolutamente normal. Fato semelhante pode acontecer em nossas rotinas diárias com manejo de fruta em casa. Há sempre a troca imediata para o estudante quando há esse tipo de infortúnio". A universidade também ressaltou que a empresa contratada no Restaurante Universitário da Unifesp é de grande porte, serve outros Campus da Instituição, além de hospitais e colégios na grande São Paulo. Além disso, segundo a universidade, o Campus conta com servidores que "fiscalizam a prestação de serviços, desde a montagem do cardápio, a compra dos insumos, a produção dos alimentos até a montagem dos pratos". De acordo com a instituição, eles servem mais de 12 mil refeições ao mês. A Unifesp disse que tem uma Comissão de Alimentação ativa, que conta com a participação de Professores (profissionais do Curso de Nutrição), técnicos e estudantes. "Nesta Comissão todos esses aspectos são debatidos de maneira democrática". Por fim, foi afirmado que uma nova pesquisa de satisfação será feita com o público em geral no mês de julho. Relembre outro caso O RU fechou 50 minutos antes do horário habitual (Reprodução) Mais de 150 estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) fizeram uma manifestação no restaurante universitário (RU) do campus Baixada Santista - Edifício Acadêmico I, em Santos, litoral de São Paulo, na noite de 27 de maio deste ano. O protesto, que cobrou melhorias na qualidade da alimentação oferecida na universidade, foi motivado por denúncias de precarização do serviço, administrado pela empresa terceirizada Real Food, desde o segundo semestre de 2024. Entre as principais reclamações dos estudantes estavam casos recorrentes de alimentos impróprios, como o caso de um parafuso encontrado na comida, além de falta de coifa e ventilação adequada na cozinha. Um aluno já encontrou "pedrinhas" no prato do RU (Reprodução) De acordo com um aluno ouvido por A Tribuna, que teve a identidade preservada, durante o protesto, a empresa terceirizada retirou e descartou toda a comida, impedindo que parte dos manifestantes pudesse jantar, apesar de parte deles já ter pago pela refeição. O horário de funcionamento vai até às 20h, mas, nesta terça-feira, o serviço foi fechado às 19h10. "A sensação é de descaso, todo o corpo discente sente isso. Não é à toa que, em pleno horário de aula, havia mais de 100 estudantes empenhados em reivindicar o direito à alimentação de qualidade", contou o estudante. Os problemas com o restaurante universitário começaram após uma empresa assumir o local. "Nosso campus conta com RU há muito tempo e não me lembro de relatos tão graves e tão frequentes. As reclamações são feitas há meses, por diversas vias, e tanto a empresa quanto a direção do campus não demonstram comprometimento ou interesse com uma pauta que está atingindo todos os alunos da Unifesp". Reivindicações No dia 28 de maio, os estudantes realizaram duas novas assembleias, com a participação da empresa responsável e da direção da universidade. As reuniões tiveram como objetivo discutir e cobrar respostas para uma série de reivindicações: Gratuidade do restaurante universitário para estudantes de baixa renda; Gratuidade também para filhos de estudantes; Melhoria na qualidade dos alimentos servidos; Aumento do quadro de funcionários da cozinha; Fim da política de "segunda sem carne"; Implementação de café da manhã no restaurante universitário. Outro lado Em nota, a Unifesp informou que todas as demandas dos estudantes estão sendo debatidas com o coletivo do campus, em um processo contínuo de escuta e aprimoramento. Também comunicaram que aperfeiçoamentos são sempre bem-vindos, desde que construídos com diálogo e o comprometimento de toda a comunidade acadêmica. A universidade dispõe de canais oficiais para recebimento de denúncias, como o FalaBR, que garante os encaminhamentos institucionais necessários, de acordo com a Unifesp.