Especialista faz alertas sobre o risco de parte de Santos ficar debaixo d'água até 2050

O pesquisador Ronaldo Christofoletti analisa o relatório publicado pela ONU

Por: Victor Barreto  -  02/12/23  -  11:22
ONU emitiu alerta sobre avanço do nível do mar, que pode inundar parte de Santos em 2050
ONU emitiu alerta sobre avanço do nível do mar, que pode inundar parte de Santos em 2050   Foto: Silvio Luiz/AT

Para serem efetivas, as ações de combate aos efeitos das mudanças climáticas devem ocorrer do nível individual ao governamental. A opinião é do pesquisador Ronaldo Christofoletti, coordenador do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na Baixada Santista.


O pesquisador comentou o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), noticiado por A Tribuna, que alerta para a possibilidade de que o aumento do nível do mar inunde um território onde vivem 5% da população de Santos, percentual que corresponde a cerca de 20 mil pessoas. Segundo ele, já há iniciativas no mundo para evitar o cenário catastrófico previsto pelo estudo.


“O mundo já acordou. Existem o Acordo de Paris, a Agenda 2030, a Década do Oceano, dentre tantas iniciativas que trabalham nisso”, pontuou. Ainda segundo ele, no País, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima tem trabalhado e pensado em planos nacionais que ajudem estados e municípios a adotar ações contra os efeitos das mudanças.


“Apesar de o Governo Federal ter um papel nacional, a ação ocorre nos municípios, então, precisamos ter essa ligação. Cada município vai pensar de acordo com a sua realidade e ter ações muito claras. O mesmo vale para os estados”, afirmou.


O pesquisador destaca que há ações mais imediatas a tomar, denominadas adaptação costeira para a resiliência climática. No caso do aumento do nível do mar e da frequência de ressacas, Christofoletti afirma que o primeiro passo é mapear as áreas que serão inundadas e pensar nas chamadas soluções baseadas na natureza.


“Não adianta ir lá construir uma parede de concreto. A energia do mar vai bater e vai ser pior. Vemos isso com a mureta da praia, embora ela não tenha sido feita para isso”, explicou. O especialista citou que infraestruturas feitas com base na natureza amortecem melhor essa energia e propiciam a biodiversidade.


Um exemplo citado por Christofoletti são os geobags (bolsas de areia) instalados na Ponta da Praia em 2018, para conter o avanço da ressaca. “O que precisamos, passados cinco anos, é olhar para esses dados, é conhecer o quanto a solução está trazendo benefícios e o quanto não. A partir daí, precisamos pensar quais outras soluções vão ajudar nesse cenário”, ponderou o pesquisador.


Em longo prazo, porém, será necessária uma mudança de comportamento, advertiu o especialista. “Para que nós não atinjamos o pior dos cenários, todos precisam contribuir para uma menor emissão de gás carbônico. Isso significa mudar o nosso meio de consumo, reduzir o número de transportes nas ruas que emitam gás carbônico e mais transportes elétricos, além de mais arborização nas cidades.”


Governos

A Prefeitura de Santos afirmou que o Município adota ações de destaque nacional. Em 2019, criou a Seção de Mudanças Climáticas, responsável pelo Plano de Ação Climática de Santos (Pacs), lançado no ano passado. O objetivo é executar estratégias, diretrizes e metas de adaptação à crise climática e à redução de seus efeitos socioambientais, com 50 metas a cumprir entre 2025 e 2050. Também há obras de drenagem e monitoramento de áreas de risco, das quais moradores são retirados.


Em nota, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática afirmou coordenar o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, com ações conjuntas entre órgãos federais para o período de 2024 a 2035. Dois planos definirão medidas de prevenção à elevação do nível do mar e aos seus impactos. O Fundo Clima deverá reservar cerca de R$ 10 bilhões a Estados e municípios para projetos de adaptação climática.


A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística não retornou até o fechamento desta edição.


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