[[legacy_image_316187]] Para serem efetivas, as ações de combate aos efeitos das mudanças climáticas devem ocorrer do nível individual ao governamental. A opinião é do pesquisador Ronaldo Christofoletti, coordenador do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na Baixada Santista. O pesquisador comentou o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), noticiado por A Tribuna, que alerta para a possibilidade de que o aumento do nível do mar inunde um território onde vivem 5% da população de Santos, percentual que corresponde a cerca de 20 mil pessoas. Segundo ele, já há iniciativas no mundo para evitar o cenário catastrófico previsto pelo estudo. “O mundo já acordou. Existem o Acordo de Paris, a Agenda 2030, a Década do Oceano, dentre tantas iniciativas que trabalham nisso”, pontuou. Ainda segundo ele, no País, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima tem trabalhado e pensado em planos nacionais que ajudem estados e municípios a adotar ações contra os efeitos das mudanças. “Apesar de o Governo Federal ter um papel nacional, a ação ocorre nos municípios, então, precisamos ter essa ligação. Cada município vai pensar de acordo com a sua realidade e ter ações muito claras. O mesmo vale para os estados”, afirmou. O pesquisador destaca que há ações mais imediatas a tomar, denominadas adaptação costeira para a resiliência climática. No caso do aumento do nível do mar e da frequência de ressacas, Christofoletti afirma que o primeiro passo é mapear as áreas que serão inundadas e pensar nas chamadas soluções baseadas na natureza. “Não adianta ir lá construir uma parede de concreto. A energia do mar vai bater e vai ser pior. Vemos isso com a mureta da praia, embora ela não tenha sido feita para isso”, explicou. O especialista citou que infraestruturas feitas com base na natureza amortecem melhor essa energia e propiciam a biodiversidade. Um exemplo citado por Christofoletti são os geobags (bolsas de areia) instalados na Ponta da Praia em 2018, para conter o avanço da ressaca. “O que precisamos, passados cinco anos, é olhar para esses dados, é conhecer o quanto a solução está trazendo benefícios e o quanto não. A partir daí, precisamos pensar quais outras soluções vão ajudar nesse cenário”, ponderou o pesquisador. Em longo prazo, porém, será necessária uma mudança de comportamento, advertiu o especialista. “Para que nós não atinjamos o pior dos cenários, todos precisam contribuir para uma menor emissão de gás carbônico. Isso significa mudar o nosso meio de consumo, reduzir o número de transportes nas ruas que emitam gás carbônico e mais transportes elétricos, além de mais arborização nas cidades.” GovernosA Prefeitura de Santos afirmou que o Município adota ações de destaque nacional. Em 2019, criou a Seção de Mudanças Climáticas, responsável pelo Plano de Ação Climática de Santos (Pacs), lançado no ano passado. O objetivo é executar estratégias, diretrizes e metas de adaptação à crise climática e à redução de seus efeitos socioambientais, com 50 metas a cumprir entre 2025 e 2050. Também há obras de drenagem e monitoramento de áreas de risco, das quais moradores são retirados. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática afirmou coordenar o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, com ações conjuntas entre órgãos federais para o período de 2024 a 2035. Dois planos definirão medidas de prevenção à elevação do nível do mar e aos seus impactos. O Fundo Clima deverá reservar cerca de R\$ 10 bilhões a Estados e municípios para projetos de adaptação climática. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística não retornou até o fechamento desta edição.