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Domingo

15 de Dezembro de 2019

Escola Livre de Dança vai à Holanda

Quinze bailarinos da companhia participam do 4 o AmsterDans

A Escola Livre de Dança de Santos embarca para a Holanda, na quarta-feira, onde participa do 4º AmsterDans Internacional Competition, que acontece sábado e domingo. É a segunda vez que eles vão para o exterior. Em 2016, ficaram em primeiro lugar no Festival Tanzolymp, em Berlim, na Alemanha. Mesmo assim, a Companhia não minimiza a expectativa por representar Santos, mais uma vez, em outro continente.

“É muito legal você ver as suas crias indo para a Europa, pois o sonho de todo bailarino é dançar lá”, comenta Melissa Ricci, professora da Escola.

O grupo está preparando três apresentações na modalidade de dança contemporânea. Uma em conjunto e duas no solo.

Na dança em grupo, os passos sincronizados dos 15 bailarinos, junto com a melodia impactante, trazem uma grande reflexão sobre a violência.

“O conjunto fala sobre vozes caladas, representa a violência de diversas formas. Tentamos colocar na coreografia algo que as pessoas olhassem e pensassem nessas questões”, conta Patricia Ricci, irmã de Melissa e professora da Escola.

O conceito dos solos seguem outro caminho, mais histórico, porém não deixam de trazer sua força para os palcos, com apresentações cheias de emoção.

Os solistas são Jeferson Souza, de 20 anos e Barbara Manaia, de 19. “Jeferson representa Hermes, o Deus grego da força, da parte física e Barbara é Zarina, uma Deusa africana do ouro, da virtude, da sensualidade”, explica Patricia.

DANÇANDO COM A ALMA

O processo para apresentar os passos perfeitos é bem rígido. Os dançarinos treinam de segunda a sábado, durante cinco horas, entre seus horários de estudo.

A maioria é menor de idade. A caçula da turma é Amanda Ferreira, de 14 anos. “Fico muito feliz por ser a mais nova e poder compartilhar com eles as minhas inspirações”. Ela está na Escola desde os seis anos de idade e deseja fazer da dança, sua forma de ganhar a vida. “A dança para mim não é somente feita de passos, mas sim de emoções”.

A solista Barbara, que está na Companhia desde seus 8 anos,também sonha em ser dançarina profissional. “Sempre quis exercer isso como profissão, embora seja muito difícil a gente nunca desiste”, conta ela.

Ser uma das escolhidas para se apresentar sozinha a encheu de felicidade. “Estou extremamente grata por realizar isso e representar o Brasil. A cultura aqui não é tão valorizada, então poder representar o país é muito importante”, diz Barbara.

A dança em conjunto começa com o único menino do grupo, Jeferson, sozinho, com movimentos que chamam a atenção.

Devido a seu grande talento, ele foi escolhido também como solista, para representar a Companhia.

Jeferson tem o pai mecânico e a mãe diarista. Quando tinha 12 anos, resolveu fazer balé junto com sua irmã, mas ela desistiu e ele se deixou levar pelo embalo da atividade. “A dança para mim, é simplesmente a minha alma. É o ar que eu respiro, sou eu por inteiro”, comenta.

Ser o único menino no grupo não o torna diferente. “Com elas eu sou só mais uma pessoa. Sou só amigo delas e é maravilhoso”.

A emoção toma conta de Jeferson, quando ele fala sobre sua paixão pela arte e a Escola Livre de Dança. Com os olhos marejados, ele declara todo seu amor pelas suas companheiras “Eu sinto que esse grupo, poucas escolas tem. A nossa amizade é forte e verdadeira. Essas garotas são muito especiais para mim”.

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