Vacina é considerada uma das principais armas para reduzir casos (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Em 2021, Santos viveu uma epidemia de dengue, com a maior incidência de casos desde 2017: foram 4.403 casos confirmados. Naquele ano, 75 crianças e adolescentes de até 14 anos foram internados na cidade por causa da doença. Três anos depois, esse número voltou a subir. Do ano passado para 2024, houve um aumento de 154% nas hospitalizações de menores de 14 anos (11 casos em 2023, contra 28 no período de 1º de janeiro até 20 de setembro deste ano). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Neste intervalo, a faixa etária que teve o maior aumento de hospitalizações foram as crianças com idades de 5 aos 9 anos. Em 2023, houve apenas duas internações, enquanto neste ano foram 9. Os números podem parecer pequenos, mas o crescimento é de 354%. Movimento similar ocorreu em 2021, segundo o boletim epidemiológico de Santos do ano seguinte. Segundo o boletim, em 2021 a dengue afetou mais as crianças, especialmente as da faixa etária dos 5 aos 9 anos. O coeficiente de incidência foi de 1.873,6 casos por 100 mil habitantes. No entanto, essa não é uma particularidade de Santos: um levantamento do Observa Infância, da Fiocruz/Unifase, revelou que, no País, a dengue tem atingido com maior gravidade crianças em 2024. De acordo com o estudo que analisou dados de todo o Brasil, a doença atinge com mais gravidade pacientes de até 5 anos, que também possuem a maior taxa de letalidade, seguidas pelos pequenos de 5 a 9 anos. Crianças e adolescentes de 10 a 14 anos são os que mais confirmaram casos de dengue entre os menores de idade. Embora não seja exatamente a mesma realidade do município de Santos, o fato é que mais crianças são afetadas pela dengue em sua forma grave em momentos de epidemia, e há uma explicação para isso que não é só numérica. O próprio boletim epidemiológico de 2022 cita que a gravidade da doença é maior nos “extremos de idade”. O médico especialista em Infectologia André Pirajá explica que isso ocorre por causa da apresentação da doença. “Os sinais de alerta, quanto mais tenra a idade, mais difíceis são de serem percebidos”, afirma. Esses sinais são sintomas como dores abdominais, vômitos e alteração do nível de consciência, coisas facilmente observadas quando ocorrem em adultos. “As crianças, como não verbalizam tanto ou não apresentam esses sinais de alarme com tanta frequência, quando observam, já estão extremamente desidratadas”, explica Pirajá. Além disso, é importante lembrar que crianças têm o sistema imunológico ainda em formação e, portanto, imaturo. “São pessoas que não tiveram contato com o vírus. A dengue existe há décadas, então a pessoa que já teve contato com algum dos quatro tipos do vírus costuma ficar mais protegida, resistente. Portanto, crianças e adolescentes são mais vulneráveis”, explica o secretário de Saúde de Santos Denis Valejo. A solução rima com prevenção. “A estratégia do Ministério da Saúde foi muito assertiva em imunizar crianças e adolescentes primariamente para vacinas da dengue”, disse o médico infectologista. Vacinação em Santos Apesar da importância da vacinação de crianças e adolescentes contra a dengue, menos de um quarto do público-alvo da campanha recebeu o imunizante em Santos. No fim de setembro, A Tribuna publicou reportagem que revelou, ainda, que apenas 34,2% daqueles que receberam a primeira dose retornaram às salas de vacinação para receber a segunda e completar o esquema vacinal. "Infelizmente, a polarização que tivemos em outras eleições contra a vacina acabou transformando essa questão em algo político, ao invés de técnico”, lamentou o secretário de Saúde. Em Santos, a vacina contra a dengue está disponível de segunda a sexta-feira nas 30 policlínicas espalhadas pela Cidade. Aos sábados, pelo menos uma unidade de cada região abre para aplicar as doses.