Empresas da Baixada Santista vivem expectativa de retomada da temporada de cruzeiros

Anvisa deve decidir nesta quinta-feira (15) se viagens de transatlânticos estarão liberadas para a temporada 2020/2021

O setor de cruzeiros espera para quinta-feira (15) um posicionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a retomada das viagens a bordo de transatlânticos na temporada 2020/2021. O órgão regulador analisa protocolos sanitários utilizados por armadoras na Europa para definir se haverá ou não saídas de embarcações no País. A agência confirma estudos sobre o tema, mas não assegura que o martelo será batido amanhã.

O protocolo de saúde e segurança em análise foi adotado nas operações realizadas pela MSC Cruzeiros, que já retornou às atividades com viagens por países como Grécia, Itália e Malta (veja medidas no quadro) e é a única empresa que planeja oferecer viagens em navios no País nessa temporada.

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A MSC explica, em nota, que montou uma força-tarefa de especialistas em áreas como serviços médicos, saúde pública e sanitização, hotelaria e sistemas de engenharia de bordo, para que os cruzeiros fossem realizados com segurança na Europa – e o resultado tem sido positivo, diz.

“Ha uma reunião marcada para o dia 15 (amanhã) com o secretário nacional de Portos, Diogo Piloni, com representantes da Anvisa e agências, porque eles ficaram de analisar os protocolos e dar uma resposta. A medida começou lá em agosto e está dando certo”, informa a deputada Rosana Valle (PSB-SP).

Já a Clia Global (Associação Internacional de Cruzeiros Marítimos) afirma que será  obrigatória para todas as companhias de cruzeiros marítimos, que forem membros da associação,  a obrigação de testes em todos os passageiros e tripulação  antes do embarque em  navios com capacidade para mais de 250 pessoas. 

 

Os profissionais do setor de turismo creem em retomada. O presidente da Associação dos Profissionais do Turismo da Baixada Santista, Eduardo Silveira, diz que, além da adaptação a protocolos, “os cruzeiros são muito importantes para a economia como um todo, para as cidades onde eles fazem paradas, para quem trabalha em restaurantes, hotéis, empresas de transporte de passageiros, por exemplo”.

O presidente da Visite Santos, Leonardo Carvalho, calcula que, “se a gente pensar que o gasto médio de um cruzeirista é de R$ 3,3 mil, imagine quanto deixará de circular (em caso de redução). (...) A gente nem pensa na possibilidade de a Anvisa não aprovar (os protocolos)”.

Vendas

Cruzeiros marítimos são o carro-chefe da Mendes Tur e, por isso, a empresa também aguarda definição o quanto antes. “Acho que a MSC está com os protocolos bem definidos. Tanto que eles já estão na nona saída na Europa sem nenhum incidente. E, como passamos para a zona verde no Estado, seguindo todos esses protocolos e todos os cuidados, não vejo problema em voltar a operar”, avalia a diretora da agência, Ines Bellini.

A diretora da HM Tur Viagens, Marzi Medina, diz que a situação preocupa, porque as vendas de pacotes e a remarcação por quem teve viagem cancelada por causa do início da pandemia de coronavírus já estão ocorrendo.

“A temporada está vendida, tanto aqui quanto lá fora. Graças a Deus, as pessoas estão se animando em viajar. Já estamos trabalhando com capacidade reduzida de disponibilidade.”

Em nota, a Anvisa informa que ainda não há nenhuma novidade. “O tema está no âmbito do Grupo Interministerial que trata dos assuntos da pandemia.”

Terminal Giusfredo Santini está com esquema quase pronto para receber passageiros (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Concais tem quase tudo pronto para passageiros

O Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini (Concais) já está com esquema quase pronto para receber os passageiros. Os ajustes custarão cerca de R$ 600 mil.

“Nossa expectativa é bem positiva em relação a essa liberação pela Anvisa e estamos prontos para a temporada”, diz a diretora de Operações, Sueli Martinez.

Entre as medidas a serem adotadas, estão aferição de temperatura e intensificação de limpeza em corrimãos, balcões e pisos. 

Os balcões terão divisórias de acrílico para não haver contato entre atendentes e passageiros. Haverá distanciamento entre 1,5 e 2 metros em filas e horário marcado para o embarque. “Vamos fazer um embarque mais rápido. A ideia é atender entre 350 e 500 pessoas a cada meia hora.”

No ano passado, mais de 574 mil passageiros embarcaram ou desembarcaram no Porto. Neste ano, com apenas a MSC esperando operar com três transatlânticos – Preziosa, Seaview e Musica – o número será bem reduzido.

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