Larissa teria perdido o Jeep Compass após desrespeitar as regras da premiação e não atingir as metas (Reprodução) A Quadri Contabilidade, empresa de Santos que demitiu a auxiliar de contabilidade Larissa Amaral da Silva, de 25 anos, afirma que ela descumpriu o regulamento do sorteio do Jeep Compass que havia ganhado, pois teria alugado e vendido o automóvel para sua encarregada. O proprietário da empresa, Rodrigo Morgado, de 29 anos, contou neste domingo (27) para A Tribuna que a transferência do carro para o nome de Larissa também dependia do cumprimento de metas que não foram atingidas. Por isso, o carro foi retomado. A Tribuna teve acesso ao documento assinado por Larissa e os demais participantes, que mostra todo o regulamento do sorteio (veja abaixo). Regulamento do Sorteio (Reprodução) Regulamento do sorteio (Reprodução) Larissa ganhou o Jeep Compass da Quadri Contabilidade, empresa onde trabalhava, localizada no Gonzaga, em Santos, durante uma festa de confraternização realizada em 13 de dezembro de 2024, e pegou o carro após 10 dias. Porém, segundo ela, teve que arcar com R\$ 10 mil em manutenções, pois o carro apresentava defeitos. Posteriormente, Larissa foi demitida, e a empresa retomou o veículo no último dia 10. Para A Tribuna, Morgado explicou que não se tratava de um sorteio convencional, e sim de um plano de aceleração com um benefício final, que seria o Jeep Compass. “A pessoa já poderia usufruir do bem como forma de motivação para cumprir as metas, e só poderia vender ou alugar o carro após um ano”, destaca o empresário. Ele contou que os outros itens sorteados, como uma TV de 55 polegadas, caixa de som, fone de ouvido e prêmios de R\$ 1 mil em dinheiro, não tinham regras pré-estabelecidas e o funcionário que ganhasse levaria o prêmio na hora. Segundo o empresário, essas premiações foram criadas para reconhecer os funcionários pelos resultados alcançados em 2024. “O carro foi parte de uma imersão realizada em novembro com todos os colaboradores. A empresa investiu R\$ 300 mil, levando todos os funcionários, sem que ninguém precisasse pagar nada, durante três dias". Ele complementou: “Como o time estava engajado, tive a 'brilhante' ideia — que acabou com a minha vida — de comprar um veículo e engajar ainda mais. Participo de diversos Masterminds e tenho como inspiração empresários como Nelson Williams, João Odibe, Thales Gomes e outros. Peguei essa ideia do sorteio de carro de grandes empresas”. Segundo ele, devido à sua origem humilde, a ideia era valorizar e reconhecer o trabalho de seus colaboradores. “Deixando a razão de lado e agindo com o coração, fiz isso que agora está arruinando toda a história da minha família. Tudo que fiz foi para tentar promover algo legal." Morgado relatou que, por conta da repercussão do caso, tem sido ameaçado, além de haver prejuízos à imagem da empresa. Isso, segundo ele, tem causado muitos transtornos e aborrecimentos à sua família, especialmente porque sua esposa engravidou recentemente e o recém-nascido se encontra na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tem outro filho pequeno. Ao olhar para trás, entende que pode ter cometido erros. “Assumo que talvez eu tenha cometido um erro junto com os meus advogados, que talvez não pensaram nisso e não me orientaram da maneira correta que eu coloquei lá, que em 2025 a pessoa teria algumas metas para cumprir num plano de 12 meses. Por isso que tem a regra que precisa estar na empresa por 12 meses. Como um incentivo e benefício, quem cumprisse essas metas teria como prêmio final o Jeep Compass”. Larissa fez uma publicação desabafando sobre o caso nas rede sociais (Reprodução/Instagram) Outra falha, segundo ele, foi disponibilizar o carro de forma antecipada. “Eu poderia até ter divulgado o carro, deixado ele à mostra, mas não permitir que ninguém o tocasse. Porém, permiti que o ganhador usasse do carro, e em 13 de dezembro de 2025, data prevista para o fim das metas, a pessoa poderia vendê-lo, doá-lo, enfim, fazer o que quisesse”. Morgado também relatou que havia deixado claro os custos médios de IPVA e seguro. “Teve funcionário que disse: ‘Rodrigo, não vou participar porque, se eu ganhar, pode pesar nas minhas finanças’. Outro disse: ‘Não vou participar porque as metas não foram definidas ainda, e tenho medo de não conseguir cumprir’”. Sorteada Quando Larissa ganhou, houve preocupação com o cumprimento das metas por parte da colaboradora, pois segundo o empresário, ela era inexperiente na área contábil. “Dissemos que podíamos pensar em outra solução, talvez sortear novamente, mas ela insistiu: ‘Eu quero o carro. Já fiz as contas. Tenho outras fontes de renda e consigo arcar.’ Cerca de 40 dias depois, ela relatou um problema de superaquecimento no carro.” Ele afirmou que propôs a devolução do carro para avaliação. “Sugeri procurar quem vendeu, ver o que podia ser feito. Se necessário, devolveríamos o carro, pegaríamos o dinheiro e decidiríamos juntos como proceder — comprar outro, fazer novo sorteio. Mas ela disse que o cunhado era mecânico e resolveria por conta própria.” Empréstimo Após isso, segundo Morgado, Larissa teria feito um acordo com sua encarregada e vendido o carro por R\$ 60 mil para, posteriormente, dar entrada em um imóvel. Ele ficou sabendo disso pela própria encarregada, que pediu sua opinião. O empresário afirmou que não se envolveria. “Ela tem o documento (regulamento) assinado por todos, onde consta: ‘Não pode ceder a terceiros. O uso é exclusivo e pessoal durante 12 meses.’ Depois, poderia ser vendido. Mas ela e a encarregada fizeram o acordo entre elas. A encarregada pagaria o conserto antes das parcelas, valor que depois seria abatido do total.” Segundo Morgado, Larissa foi demitida pela situação que causou na empresa. “Começou a formar grupinhos para falar mal do ambiente. Se ela tivesse dialogado de forma tranquila, nada disso teria acontecido. Se paguei R\$ 70 mil no carro, o que seria pagar R\$ 10 mil de reparo?”. Segundo ele, Larissa gastou menos de R\$ 4 mil com reparos, e não R\$ 10 mil como ela afirma. Transferência “Fizemos a (comunicado de) transferência para o nome da Larissa porque, ao conversar com ela, ela disse que nunca havia dirigido, mas pretendia começar. Falei com meus advogados, e como a intenção era que Larissa fosse a proprietária, mantive comigo apenas o contrato de compra e venda entre Victor (nome que constava no documento como dono do carro) e a Quadri. Pedi que ele transferisse diretamente para Larissa, pois ele era um terceiro e eu não podia manter o carro no nome dele por 12 meses". Ele explicou que não deixou o carro no nome da contabilidade para evitar associação direta da empresa com qualquer incidente envolvendo o veículo. Carro devolvido “Quando fizemos a demissão e o pagamento, pegamos o carro e o levamos à oficina. Não preciso me aproveitar de um Jeep Compass de uma funcionária. Desde que o carro foi recolhido, está na oficina fazendo revisões, por minha conta. Não tomei o carro. Ele foi recolhido para avaliação.” Metas A Tribuna também teve acesso ao documento que mostra as metas para ganhar o carro. Metas para ganhar o carro (Reprodução) Versão de Larissa Larissa afirmou teve que arcar com R\$ 10 mil em manutenção, pois o carro apresentava defeitos. Posteriormente, ela foi demitida e a empresa tomou o veículo de volta e por isso ela busca por providências. Diante da situação, Larissa disse que, junto com seus advogados, entrará com uma ação trabalhista contra a empresa.