Eduardo Caldeira era apreciador de MPB e trouxe a Santos nome como Lenny Andrade e Dori Caymmi (Rogério Soares/AT/Arquivo) A história da noite de Santos perdeu um de seus representantes mais ricos. Morreu, aos 80 anos, o empresário Eduardo Caldeira, responsável por vários espaços icônicos da Cidade, em especial o Bar da Praia, próximo ao Canal 3. A causa da morte ainda não foi divulgada. Ele deixa a esposa, Mônica Mathias, e dois filhos. O velório acontecerá na Beneficência Portuguesa nesta segunda-feira (23) das 18 horas até meia-noite. O corpo será cremado no Campo das Oliveiras, em Jacareí (SP) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Assim que a notícia foi divulgada, a consternação tomou conta das redes sociais. O amigo Julinho Bittencourt, mesmo bastante emocionado, lembrou a convivência com o empresário. “Ele foi imprescindível. Foi um cara que mudou completamente a noite santista. Era um profissional, pesquisador, trazia coisas de São Paulo, pegava ideias”, ressalta. O Bar da Praia tinha uma programação variada de música ao vivo, que ia do jazz à MPB. Entre um drinque e outro, era possível saborear alguns pratos que prestavam homenagens a artistas famosos. O Vinícius de Moraes (filé mignon ao alho e óleo com molho roti e agrião) era um deles. Mas havia outros, como o Caetano (frango ao catupiry com batatas e arroz) e o Caymmi (espaguete ao creme de leite com champignon, ervilha e presunto), conforme reportagem de A Tribuna publicada em 1988. “O cardápio era super elaborado, simples, mas ao mesmo tempo de muito bom gosto, com pratos que fugiam do lugar comum, dos bares, do chope com batata frita. Fora que ele adorava jazz, adorava música instrumental, bossa nova”, acrescenta Julinho. Lá, tocaram nomes como Johnny Alf, João Donato, Lenny Andrade e Dori Caymmi, entre outros. Caldeira também esteve à frente de outros bares, como o Reciclagem. “Também teve o Pasteleco, no Shopping Parque Balneário, com um cardápio todo diferente de pasteis, novidade para a época. O Reciclagem também teve, como inovação, a comanda individual em papel. “Não era uma coisa assim, de ter um bar e ir empurrando com a barriga, Ele estava sempre inventando coisas, sempre pesquisando cardápio e programações e tal. E, do lado pessoal, era um grande amigo”, complementa Julinho.