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Sexta-feira

22 de Fevereiro de 2019

Em meio a polêmica sobre preço, Prefeitura de Santos detalha obra de muro em cemitério

Segundo a Administração Municipal, serviço inclui estrutura reforçada, novas calçadas e portão de aço

A Prefeitura de Santos detalhou a obra do muro do Cemitério Areia Branca, na Zona Noroeste, depois de o alto valor da licitação - R$ 592.030,88 - provocar reações indignadas de moradores e vereadores. Na última terça-feira (20), parte do muro do equipamento público desabou, deixando caixões e restos mortais expostos.

Segundo comunicado da gestão Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) nessa sexta-feira (23), serão 460 metros lineares de construção com espessura de 20 centímetros, totalizando 1,84 mil metros quadrados de alvenaria armada, nos dois novos muros laterais a serem erguidos junto às ruas Vereador Remo Petrarchi e Tomoichi Kobuchi. A licitação para contratação do serviço estava em andamento antes do desabamento desta semana.

Conforme a Administração Municipal, a altura dos muros será de 4 metros, um a mais do que a atual, com o objetivo de evitar furtos no local. O trabalho ainda inclui a instalação de rede de arame farpado em espiral, construída em 2016.

Estacas com 1,7 metro de profundidade, vigas abaixo do solo e intermediárias e blocos de coroamento (para distribuição da carga dos pilares) a cada 3 metros estão entre as novas estruturas utilizadas para sustentação mais firme dos muros. O serviço será complementado com reboco e pintura.

De acordo com a Prefeitura, a obra contratada por mais de meio milhão de reais também abrange a instalação de um portão de aço de 14 metros quadrados voltado à Rua Vereador Remo Petrarchi, além da reconstrução de 1,38 mil metros quadrados de calçadas da mesma via e da Rua Tomoichi Kobuchi.

Vencedora da licitação, a empresa Engeterpa terá 30 dias para começar os trabalhos e oito meses para concluir a obra.

O detalhamento da Prefeitura de Santos acontece após a divulgação do valor da obra ter provocado polêmica. Moradores mostraram-se indignados com o preço em publicações nas redes sociais, onde vereadores também manifestaram surpresa com o montante e prometeram cobrar explicações do Executivo.

O vereador Fabrício Cardoso (PSB) informou que solicitaria "cópia de inteiro teor do edital para poder averiguar se todos os serviços envolvidos condizem com o alto valor desse contrato". "Caso fique comprovada a discrepância nos valores praticados, estarei solicitando a anulação do processo em caráter de urgência".

A vereadora Telma de Souza (PT) disse estar "cobrando respostas da falta de manutenção dos bens públicos e deste estranho custo".

O vereador Augusto Duarte (PSDB) escreveu em uma rede social que pediria detalhes do processo licitatório "para verificarmos como ele aconteceu e assim também podermos verificar se esse orçamento está dentro do princípio da razoabilidade".

No comunicado divulgado nessa sexta-feira, a Prefeitura ainda destacou que o valor contratado é 20,7% menor do que o que estava estipulado em edital, R$ 746.403,77.