“Estou aqui feliz, contente, inteiro. Não deixei nenhum pedaço de mim para trás. Trouxe tudo o que sou para poder colocar à disposição desta amada Diocese de Santos”. É dessa forma que o novo bispo diocesano de Santos, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, inicia sua gestão à frente da comunidade católica da Baixada Santista. Ontem pela manhã, uma missa realizada na Catedral marcou o início da nova jornada episcopal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para ele, que substitui o agora bispo emérito dom Tarcísio Scaramussa, um dos grandes desafios pela frente é o de atrair os jovens para a Igreja. Para isso, ele aposta na força da comunicação, inclusive com a criação de um departamento na Diocese com essa finalidade. “Mais do que trazer de volta, é a igreja que precisa ir até eles. É termos a coragem de irmos onde eles se encontram com seus problemas, seus dramas, seus valores. A juventude tem uma beleza que é própria, o entusiasmo”, explica o bispo. Acolhida Dom Joaquim Mol conta que percorreu, nos últimos meses, as nove cidades da Baixada Santista, onde teve contato com realidades distintas, mas uma Igreja igualmente vibrante e dedicada. “Sob o ponto de vista da qualidade da vida, notei, por exemplo, diferenças na qualidade das escolas, na infraestrutura de cada município, cultivo da cultura. Muitas pessoas muito pobres, vivendo, assim, no abandono”, aponta, lembrando os dois incêndios na Vila Gilda, em agosto, no espaço de um mês. O mineiro de Ponte Nova agradeceu a acolhida do povo da Baixada Santista. “São nove municípios importantes, singulares, que têm também a sua forma de expressão da fé cristã”. Renúncia Na última semana, a decisão pela renúncia de dom Tarcísio Scaramussa, aprovada pelo papa Leão 14, foi comunicada pela Nunciatura Apostólica no Brasil e de acordo com o Código de Direito Canônico, que afirma que os bispos devem pedir afastamento ao completar 75 anos — idade a que dom Tarcísio chegou em 19 de setembro. Dom Mol, que havia sido nomeado coadjutor em 24 de fevereiro e tomado posse no cargo em 10 de maio, se tornou o sétimo bispo diocesano. Dom Tarcísio faz retrospectiva Foram 11 anos de Diocese de Santos, mas dom Tarcísio Scaramussa não se mostra cansado, pelo contrário. Sem os compromissos administrativos da gestão, ele acredita que terá mais tempo para desenvolver outras atividades ligadas à Igreja. “Há uma frase que diz que o melhor de nossa vida ainda não vivemos. Nós temos um tempo novo para viver, com um novo horizonte para a minha vida, que é continuidade do serviço ministerial. Sigo com o ensino, a pregação apostólica, retiros, formação das pessoas e o amparo aos doentes”. Ele faz uma retrospectiva, citando algumas conquistas, como a criação do Tribunal Eclesiástico, do Vicariato para a dimensão social da evangelização, bem como a formação de novos religiosos - foram ordenados 19 novos padres e 23 diáconos permanentes. Scaramussa cita o aspecto pastoral, com o cuidado da liturgia como referência para a comunidade. “As celebrações foram bem feitas, animadas, com a participação das pessoas. Tudo muito bem realizado. Não foi trabalho só meu: fui estimulando, convocando, encontrando braços e pernas para realizar”. Ele citou o período da covid-19 como mais desafiador. “Ao mesmo tempo, nos fortaleceu para dar uma resposta de apoio no sofrimento do povo”.