[[legacy_image_63902]] Com as últimas altas da gasolina nas refinarias na semana passada, postos de Santos chegam a vender o litro do combustível com diferença de pelo menos 13% no preço, o que compensa uma pesquisa antes de abastecer o veículo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Entre postos visitados por A Tribuna ontem, dois estavam com preços acima da média semanal medida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) - a última pesquisa é referente à semana do dia 7 ao dia 13 de fevereiro, antes do último aumento do dia 18 feito pela Petrobrás. O ANP aponta que a gasolina está sendo vendida a R\$ 4,83 aos consumidores. Em Santos, dois postos cobravam acima desta média: R\$ 5,19 na Vila Mathias e R\$ 5,34 no Valongo. Outros dois postos tinham preços abaixo da média: no Centro e no Paquetá, eram R\$ 4,69 e R\$ 4,64, respectivamente. “Estou usando etanol. É o jeito por enquanto já que eu rodo muito. Não tem como comprar gasolina, cada hora aumentando mais. Está muito difícil”, lamenta o motorista de aplicativo Osiel Gomes Nogueira, de 50 anos. O preço médio nas refinarias saltou de R\$ 1,84 em 29 de dezembro para R\$ 2,48 na sexta-feira. Com esse reajuste, chega a 34,78% a alta nas refinarias. O reajuste da semana passada foi o quarto aumento do ano feito pela estatal. A inflação da gasolina, medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mais do que dobrou na segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). A aceleração foi tanto para os consumidores quanto para produtores. No primeiro caso, a taxa passou de 1,67% em janeiro para 3,65% este mês. Já no segundo, a alta foi ainda maior: após uma alta de 5,46% no mês passado, a gasolina automotiva subiu 13,47% em fevereiro. Gasolina tem carga tributária de 42% Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindicombustíveis Resan), José Camargo Hernandes, a raiz dos problemas são os impostos. Ele menciona os dados da própria Petrobras sobre a composição dos preços ao consumidor. “São 42% em impostos, entre tributos federais e estaduais. A saída mais possível é mexer nessa questão, não trocar comando na canetada. O que o Bolsonaro fez é ainda pior do que a Dilma. Os prejuízos serão catastróficos”, afirma Hernandes, relembrando as políticas para congelar os preços dos combustíveis na estatal, em 2015. Na época, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da empresa apontou que as movimentações para conter os preços dos combustíveis custou R\$ 100 bilhões em perdas. Na sexta-feira, Bolsonaro anunciou a demissão do presidente da empresa, Roberto Castello Branco, e o sucessor, o general Joaquim Silva e Luna. No mesmo dia, Bolsonaro ainda criticou os aumentos e falou que os preços do diesel são “excessivos”. Procurado, o Ministério da Economia não respondeu. A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado afirmou que o aumento do preço dos combustíveis é atribuição da Petrobras e que São Paulo não interfere no assunto. A pasta disse ainda que o Estado pratica uma das mais baixas alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis no país – 25% na gasolina. Sonegação “Postos que sonegam impostos ou trabalham com combustíveis de origem duvidosa são lacrados, mas depois voltam a funcionar. Acredito que isso também precisa ser aperfeiçoado, seja endurecendo as leis contra sonegação, seja aumentando a fiscalização. Há estudos que apontam uma perda de até 50% por conta do não pagamento de impostos. Isso também faz o preço nas bombas ficar mais caro”, afirma José Camargo Hernandes, Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindicombustíveis Resan).