Diferença de preço do litro da gasolina chega a 13% em Santos: 'Cada hora aumenta mais'

Entre postos visitados por A Tribuna nesta segunda (22), dois estavam com preços acima da média semanal medida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP)

Com as últimas altas da gasolina nas refinarias na semana passada, postos de Santos chegam a vender o litro do combustível com diferença de pelo menos 13% no preço, o que compensa uma pesquisa antes de abastecer o veículo. 

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Entre postos visitados por A Tribuna ontem, dois estavam com preços acima da média semanal medida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) - a última pesquisa é referente à semana do dia 7 ao dia 13 de fevereiro, antes do último aumento do dia 18 feito pela Petrobrás.

O ANP aponta que a gasolina está sendo vendida a R$ 4,83 aos consumidores. Em Santos, dois postos cobravam acima desta média: R$ 5,19 na Vila Mathias e R$ 5,34 no Valongo. 

Outros dois postos tinham preços abaixo da média: no Centro e no Paquetá, eram R$ 4,69 e R$ 4,64, respectivamente. 

“Estou usando etanol. É o jeito por enquanto já que eu rodo muito. Não tem como comprar gasolina, cada hora aumentando mais. Está muito difícil”, lamenta o motorista de aplicativo Osiel Gomes Nogueira, de 50 anos.

O preço médio nas refinarias saltou de R$ 1,84 em 29 de dezembro para R$ 2,48 na sexta-feira. Com esse reajuste, chega a 34,78% a alta nas refinarias. O reajuste da semana passada foi o quarto aumento do ano feito pela estatal.

A inflação da gasolina, medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mais do que dobrou na segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). A aceleração foi tanto para os consumidores quanto para produtores.

No primeiro caso, a taxa passou de 1,67% em janeiro para 3,65% este mês. Já no segundo, a alta foi ainda maior: após uma alta de 5,46% no mês passado, a gasolina automotiva subiu 13,47% em fevereiro.

Gasolina tem carga tributária de 42%

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindicombustíveis Resan), José Camargo Hernandes, a raiz dos problemas são os impostos. Ele menciona os dados da própria Petrobras sobre a composição dos preços ao consumidor. 

“São 42% em impostos, entre tributos federais e estaduais. A saída mais possível é mexer nessa questão, não trocar comando na canetada. O que o Bolsonaro fez é ainda pior do que a Dilma. Os prejuízos serão catastróficos”, afirma Hernandes, relembrando as políticas para congelar os preços dos combustíveis na estatal, em 2015. 

Na época, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da empresa apontou que as movimentações para conter os preços dos combustíveis custou R$ 100 bilhões em perdas.

Na sexta-feira, Bolsonaro anunciou a demissão do presidente da empresa, Roberto Castello Branco, e o sucessor, o general Joaquim Silva e Luna. No mesmo dia, Bolsonaro ainda criticou os aumentos e falou que os preços do diesel são “excessivos”. 

Procurado, o Ministério da Economia não respondeu. A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado afirmou que o aumento do preço dos combustíveis é atribuição da Petrobras e que São Paulo não interfere no assunto. 

A pasta disse ainda que o Estado pratica uma das mais baixas alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis no país – 25% na gasolina.

Sonegação

“Postos que sonegam impostos ou trabalham com combustíveis de origem duvidosa são lacrados, mas depois voltam a funcionar. Acredito que isso também precisa ser aperfeiçoado, seja endurecendo as leis contra sonegação, seja aumentando a fiscalização. Há estudos que apontam uma perda de até 50% por conta do não pagamento de impostos. Isso também faz o preço nas bombas ficar mais caro”, afirma José Camargo Hernandes, Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindicombustíveis Resan).

 

 

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