O destino final era Santos (Reprodução / Redes Sociais) Descer a serra de carro é comum. De moto, idem. Mas encarar o trajeto em um monociclo elétrico é, no mínimo, inusitado. Essa foi a escolha do dentista Wallans Tedesco de Albuquerque, de 35 anos, que, ao lado de dois amigos, decidiu percorrer de São Paulo a Santos sobre apenas uma roda. A jornada, marcada por momentos de aventura e tranquilidade, levou pouco mais de quatro horas para ser concluída e foi compartilhada nas redes sociais, onde viralizou. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A viagem acabou levando mais tempo porque o grupo disse que fez várias pausas e manteve uma velocidade média entre 40 e 50 km/h. “Se você for com pressa, em uma hora e meia consegue chegar. Mas, na 'curtição', na brincadeira, na resenha, paramos um pouquinho (...) então demorou cerca de quatro horas e meia para chegarmos”, explicou Tedesco. A ideia surgiu durante uma conversa com um amigo, já que ele havia visto um grupo descendo a serra de bicicleta. Então, decidiram fazer o mesmo trajeto e perceberam que o monociclo suportaria o percurso. Tanto que, segundo ele, chegaram ao destino com 50% de bateria. Como foi o trajeto? A partida aconteceu na estação do metrô Jabaquara, em São Paulo, de onde seguiram pela Rodovia dos Imigrantes e depois pela Rodovia Anchieta. O objetivo final era chegar em Santos, com a intenção de pegar a balsa para Guarujá, mas, segundo o dentista, acabaram desistindo "por preguiça". “O trajeto foi muito tranquilo, muito tranquilo mesmo. Nós fomos o tempo inteiro pelo acostamento, mantendo uma velocidade média entre 40 e 50 km/h, e sem fazer gracinha”, conta. Na volta, um dos amigos retornou com o próprio monociclo, embora, na maioria das vezes, o grupo opte por subir de ônibus. Nesta ocasião, Wallans subiu de carro, já que sua esposa havia descido antes, e eles se encontraram em Santos. Viral nas redes sociais Todo o percurso foi registrado nas redes sociais, mostrando o trajeto completo da descida até Santos. Atualmente, o primeiro vídeo da série já acumula mais de 16 mil curtidas e ultrapassa meio milhão de visualizações. As postagens foram divididas em cinco partes. Como funciona o monociclo? O monociclo de Tedesco atinge uma velocidade máxima de 95 km/h e possui autonomia de bateria para percorrer até 120 km. Ou seja, o alcance de 120 km refere-se à distância total que pode ser percorrida com uma única carga, não à velocidade por hora. “Para encher uma carga dessa, para rodar 120 km, ele gasta mais ou menos 3 reais. Então, essa bateria fornece energia para o motor elétrico. O monociclo tem um giroscópio. Quando você faz uma pressão para frente, ele anda para frente. Se você fizer uma pressão voltada para trás, ele vai andar para trás, que é o freio dele”. A paixão pelo meio de transporte surgiu em 2017 (Arquivo Pessoal) O profissional destaca que o veículo é muito potente justamente para garantir a estabilidade e evitar que a pessoa caia enquanto está sobre ele. Segundo o aventureiro, o funcionamento pode ser comparado ao de uma moto, que só cai para os lados. “Enquanto você está acelerando, ele não cai. Ele só cai se você se desequilibrar para os lados. Ele tem uma suspensão de moto, uma suspensão invertida, de motocross mesmo. Então, é uma suspensão que aguenta. Eu consigo dar pulos de 10 metros de distância. Consigo fazer velocidades em curva fechada a 70 km por hora, mais ou menos, porque ele usa pneu de moto”. Wallans utiliza o monociclo tanto para esportes radicais como para o uso cotidiano, circulando pela cidade. “Vou para o meu trabalho, eu faço tudo com monociclo. Eu estou com esse há 11 meses, ele já tem 11.500 quilômetros rodados", disse o dentista, que revelou percorrer mais de mil quilômetros por mês com o veículo. A paixão pelo monociclo A paixão de Tedesco pelo monociclo começou em 2017, quando ele usava um modelo pequeno que atingia no máximo 20 km/h, ideal para deslocamentos curtos como idas à academia, padaria ou supermercado. Quando ele adquiriu seu primeiro monociclo com suspensão, acabou ampliando suas possibilidades: passou a aprender a pular, correr, fazer manobras e explorar diversas habilidades no equipamento. Além das evoluções técnicas, ele destaca a importância da comunidade de monociclistas, que é forte e unida, proporcionando troca de ideias e aprendizado constante. “Uma coisa que eu acho bacana é que isso não é um tipo de veículo exclusivo para determinado sexo ou idade. Um dos integrantes tem, se não me engano, 64 anos de idade. Eu tenho um amigo de 65 que também salta. Tem crianças de 4 ou 5 anos que já sabem andar. É para todo tipo de público, homem e mulher também. Tem muitas mulheres hoje já andando”, relata. Posicionamentos A Tribuna entrou em contato com a Ecovias, que informou, em nota, que a responsabilidade pela observância de veículos nas estradas é do policiamento rodoviário. A Polícia Militar Rodoviária (PMR) foi consultada sobre o caso, mas não respondeu até a publicação desta matéria. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no artigo 244, § 2º, inciso VII, está previsto que os ciclomotores só podem transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias quando houver acostamento ou faixas de rolamento próprias.