População deve ajudar no combate ao mosquito transmissor da doença, afirma secretário de Saúde, em complemento ao trabalho de agentes (Vanessa Rodrigues/AT) O número de casos de dengue disparou, em Santos, em março e abril. No primeiro quadrimestre, são 1.494 (veja quadro). Apesar de o total ser inferior ao dos primeiros quatro meses do ano passado, quando foram cerca de 5,3 mil, e o verão, que já passou, ser a época mais crítica da doença, Prefeitura e médicos alertam que o risco de infecções continua alto no outono. Na rede privada, o Hospital Ana Costa informou que, em março, houve aumento de seis vezes nas notificações compulsórias de pacientes com sintomas de dengue na comparação com janeiro. E abril teve o dobro de registros de março. Infectologista do Ana Costa, Mariana Moraes Macedo da Silva esclarece que não necessariamente as notificações são casos confirmados. O secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, afirma que o aumento de casos já era previsto, pois esses meses costumam ter mais incidência de dengue, e pelo clima. “Começamos o ano com uma temperatura mais amena, atípica, e também tivemos um aumento do volume de chuvas mais próximo do fim do verão, condições que favorecem a proliferação do mosquito”, menciona. O infectologista Leonardo Weissmann explica que os ovos depositados pelos mosquitos nesse período podem permanecer viáveis por semanas. “(Os ovos) Eclodem quando encontram condições favoráveis, como temperaturas amenas e umidade elevada, características comuns no outono.” O médico destaca ainda que fatores como urbanização desordenada e armazenamento inadequado de água contribuem para o cenário. Combate Fábio Lopez afirma que, diante da projeção de mais casos, a Prefeitura adota medidas desde o início do ano. “Mais do que dobramos o número de mutirões realizados em comparação com o ano passado. Eles são feitos duas vezes por semana em bairros identificados com maior risco pelas armadilhas (de captura de mosquitos)”, diz. Também se intensificaram a fiscalização com apoio de drone e campanhas educativas em locais públicos. “Não sentimos esse impacto ainda nas UPAs (unidades de Pronto Atendimento), mas ficamos atentos aos números. No ano passado, tivemos mais de 5,3 mil casos e quatro óbitos. Neste ano, já temos 1,4 mil confirmados, sem mortes, e queremos não só que não tenha mortes, mas que as pessoas não tenham nenhum agravamento dos sintomas”, afirma o secretário. Lopez adverte que a população deve ajudar no combate ao mosquito transmissor. “Se não mantivermos o foco, vamos continuar tendo número significativo de casos.” Vacinação O secretário de Saúde enfatiza a importância da vacina contra a dengue, disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em Santos, a cobertura vacinal preocupa: apenas 18,19% do público alvo foi imunizado. Lopez explica que a vacina é administrada em duas doses, a segunda delas 90 dias após a primeira aplicação. A vacina também pode ser encontrada na rede privada para pessoas de 4 a 59 anos. NA CIDADE Mês – Casos Janeiro – 87 Fevereiro – 184 Março – 548 Abril – 651 Maio (*) – 24 Obs.: (*) Até esta segunda-feira (12) Fonte: Prefeitura de Santos