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19 de Outubro de 2019

Dados da Prefeitura de Santos apontam que prédios entortam 1 cm por ano

Desde 2013, a administração municipal afere a inclinação média de 65 edifícios na orla. Apenas um tem projeto para reforçar fundações

Considerados uma atração em Santos, os edifícios tortos da orla continuam se desalinhando. O afundamento de suas estruturas persiste, devido à acomodação do solo. Segundo a Prefeitura, os 65 prédios na quadra mais próxima da praia tiveram, em média, inclinação anual de um centímetro desde 2013, quando começaram as medições. 

Cerca de 20 condomínios foram intimados pelo Poder Público, na terça-feira, a atualizar laudos técnicos, incluindo “medição de desaprumo”. Esses prédios foram incluídos, há seis anos, num grupo técnico para estudar a inclinação de edifícios e indicar possíveis soluções para seu alinhamento.  

Os edifícios apresentavam, naquela época, inclinação de 50 centímetros a 1,80 metro entre a base e o topo. Os estudos tiveram início quase cinco décadas depois dos primeiros debates técnicos sobre o assunto.  

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Edificações (Siedi), dos 65 edifícios selecionados na primeira etapa, 51 apresentaram os laudos exigidos pela legislação municipal. Mas apenas um apresentou projeto de reforço de fundações, e outros oito prédios já têm planos de trabalho em andamento.  

Ainda segundo a pasta, um condomínio pediu impugnação da medida e três foram acionados pela Procuradoria Jurídica da Prefeitura (Projur). Nomes e endereços das edificações não foram informados pelo Poder Público. 

A Siedi diz, também, que uma edificação foi demolida – uma construção inacabada no Canal 4. 

A ação, cujo balanço foi obtido com exclusividade por A Tribuna, começou em agosto de 2013, quando representantes de 65 prédios da orla participaram de reunião com um técnico da Prefeitura. O objetivo foi orientar como deveria ser a apresentação do parecer técnico de um engenheiro calculista. A medida está de acordo com a Lei de Autovistoria (441, de 2001).  

Naquele ano, os condomínios foram notificados a apresentar o laudo de análise estrutural de segurança. “Com base nos laudos técnicos, podemos avaliar se a estrutura oferece risco ou apenas precisa de acompanhamento periódico”, informa a pasta, por nota.  

Demais etapas 

A Coordenadoria de Inspeção de Instalações e Locais de Eventos, Desenvolvimento Tecnológico e de Segurança (Coinst), órgão ligado à Seidi, intimou recentemente cerca de 75 edifícios a apresentar medição de desaprumo. Estes imóveis não fazem parte da amostra inicial, selecionada em 2013.  

“A fiscalização ainda vai realizar mais intimações em outros edifícios que apresentam desaprumo acima do limite, mas não foram selecionados na amostra estatística”, continua. 

Histórico  

As características do solo santista – considerado o segundo pior do mundo, atrás do da Cidade do México – e as técnicas de construção do passado explicam o fenômeno. Entre as décadas de 1950 e 1960, ergueram-se, em Santos, prédios à beira-mar com fundações curtas, com menos de dez metros de profundidade. Contudo, os fragmentos de rocha mais sólidos estão a cerca de 50 metros de subsolo. O solo mais ‘mole’ da Cidade, formado por camadas de areia e argila, também contribuiu para a inclinação.  

A situação foi exposta inicialmente em 1973, no primeiro seminário promovido pela Prefeitura para a discussão dos problemas estruturais. 

Em 1995, a Administração passou a cogitar análises técnicas para o reaprumo dos prédios. Os primeiros imóveis selecionados tiveram a inclinação medida entre 2010 e 2012, num trabalho conjunto de Prefeitura e das universidades Santa Cecília (Unisanta) e de São Paulo (USP). Uma solução é usar macacos hidráulicos para levantar as estruturas e preencher os vãos com chapas de aço. O alto custo da operação (cerca de R$ 1,5 milhão, em valores da década passada) fez com que apenas um condomínio a realizasse: o Nuncio Malzoni, no Boqueirão, ao lado da Pinacoteca Benedicto Calixto.  

 

Balanço  

Segundo a Prefeitura:  

5 prédios apresentaram mais de 50 cm de desaprumo;  

Eles têm 5.252 apartamentos e 16.690 moradores;  

O edifício mais antigo foi construído em 1948;  

O mais recente é de 1999; 

O maior tem 20 pavimentos, e o menor, dez. 

Dos 65 edifícios: 

51 tiveram laudos apresentados; 

Um condomínio pediu impugnação; 

Um condomínio apresentou projeto de reforço de fundações; 

Um foi demolido; 

Oito estão em planos de trabalho; 

Três foram acionados pela procuradoria Jurídica da Prefeitura. 

Fonte: Coordenadoria de Inspeção de Instalações e Locais de Eventos, Desenvolvimento Tecnológico e de Segurança (Coinst), órgão ligado à Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi) 

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