Proposta de restauro das fachadas já foi aprovada por órgãos de preservação federal, estadual e local (Vanessa Rodrigues/AT) Conjunto histórico de Santos, o Convento de Nossa Senhora do Carmo, no Centro, é alvo de projetos de restauro conduzidos por uma equipe da Prefeitura de Santos, em conjunto com a Província Carmelitana Fluminense, dona do imóvel, tombado. A parceria foi firmada em um termo de cooperação entre o Município e a província. A Secretaria Municipal de Obras e Edificações cuida da elaboração dos projetos técnicos de restauração e conservação de todas as edificações do conjunto — igreja, capela, campanário e anexos. A proposta de restauro das fachadas já foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan, federal), pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). O projeto é coordenado pelo arquiteto Ney Caldatto. “Já desenvolvemos também o paisagismo dos claustros e do pátio. O projeto luminotécnico já está concluído, assim como o levantamento arqueológico por radar. Agora, estamos nos debruçando no restauro das talhas de madeira dos altares, que demandam um estudo bastante profundo”, explicou Caldatto. Segundo ele, a expectativa é entregar aos órgãos de patrimônio, até o final deste ano, o projeto completo da segunda etapa, que inclui intervenções internas nos três imóveis. “É um projeto denso, detalhado, que exige grande aprofundamento no estado de conservação, nas diretrizes de intervenção e na história do edifício, que sofreu inúmeras modificações ao longo do tempo”, ressalta. Segunda etapa de recuperação incluirá intervenções internas nos três imóveis do Convento do Carmo (Vanessa Rodrigues/AT) Tecnologia Para agilizar e dar mais precisão ao levantamento cadastral do conjunto, foi contratado o escaneamento a laser, que mapeou fachadas, coberturas e interiores, além de registros com drones. A chefe do Departamento de Planejamento de Obras da Prefeitura de Santos, Maria Valéria Affonso, explica que a tecnologia permite mais detalhamento para os desenhos técnicos e modelos tridimensionais. “Foi essencial para termos rapidez e qualidade nos dados.” Prospecção A Prefeitura ainda contratou, por R\$ 29.985,00, um estudo arqueológico para identificar vestígios das fundações originais sem necessidade de demolições. Está prevista também uma licitação para a prospecção pictórica — a investigação das camadas de pintura para determinar as cores e técnicas originais aplicadas nos edifícios. Segundo a Administração Municipal, está sendo preparada a minuta do edital de licitação para as prospecções pictóricas no Conjunto do Carmo. Esse estudo tem prazo de elaboração de quatro meses e valor orçado em R\$ 336.880,72. O projeto luminotécnico, já finalizado, custou R\$ 24,5 mil e prevê a valorização dos detalhes históricos com iluminação planejada, para ressaltar a arquitetura e garantir segurança. Haverá investigação das camadas de pintura para achar cores originais (Vanessa Rodrigues/AT) Recuperação vai “entender” séculos de história do imóvel O trabalho de restauração não é simplesmente restituir o prédio a sua condição no século 18, mas reconhecer e preservar as marcas de suas diferentes fases. “O restauro não busca a originalidade pura. Busca entender a história do imóvel e preservar o que faz sentido historicamente”, explica Ney Caldatto. Ele diz ter encontrado modificações significativas no conjunto, que remontam aos séculos 19 e 20, resultando numa “mistura de épocas e estilos”. A estrutura de alvenaria, segundo o arquiteto, está em bom estado, sem rachaduras ou desmoronamentos. Os desafios estão no mapeamento das alterações e na escolha dos procedimentos mais adequados para cada elemento. “É diferente de construir algo novo. É preciso estudar o que já foi feito, o que pode ser revertido e o que deve ser mantido para que a história continue visível”, resume. “Recebemos incentivo e elogios do Iphan e do Condephaat. Ninguém nunca tinha feito um levantamento tão detalhado desse conjunto.” Ainda não há definição de prazos para início ou conclusão das obras. A parceria atual cobre apenas a etapa de projetos, e a execução dependerá de novas estratégias para viabilização financeira e operacional. “Depois, será fundamental ter um plano de manutenção constante. Esses problemas que vemos hoje, como infiltrações ou reboco caindo, já apareciam em documentos de 1812. É algo cíclico. Sem manutenção, o prédio volta a se deteriorar”, conclui Caldatto.