Recipientes são vistos de forma positiva. Porém, há quem se queixe de pessoas que os mudam de lugar (Alexsander Ferraz/ AT) O aumento no número de contentores de lixo instalados nas ruas de Santos tem provocado reações distintas. Há quem aprove a medida por considerar o sistema mais higiênico e seguro, enquanto outros apontam falhas no uso, falta de orientação à população e problemas como a movimentação irregular dos equipamentos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! São 6.391 contentores em toda a Cidade, diz a Prefeitura, e a ideia é chegar a 7 mil. No início da parceria público-privada com a empresa Terra Santos, em março do ano passado, eram 3,6 mil. O Município afirma que os contentores organizam, agilizam e tornam mais seguro o recolhimento de lixo pelos coletores, com menor risco de acidentes. Também declara que a limpeza urbana e a saúde pública são favorecidas, com menos poluição. A empresária Elisa Teixeira, de 54 anos, moradora do Embaré, relata que “gostei muito. Ele tem a tampa que fecha e não entra rato nem barata (...) Se algum saco rasgar, fica tudo ali dentro, não vai para a rua. Isso ajuda muito quem faz a coleta e evita que eles se machuquem, porque, às vezes, as pessoas jogam vidro sem cuidado”. Elisa, porém, aponta pessoas que deixam a tampa de contentores aberta ou jogam resíduos fora deles. “Se deixar aberto, o rato entra, faz sujeira, vem a chuva e, aí, começa o problema de saúde.” O engenheiro químico Rodrigo Miyawaki, de 49 anos, também morador do Embaré, disse que o prédio onde vive passou a utilizar os contentores com frequência. “Quando a gente colocava o lixo nas lixeiras comuns, os sacos eram rasgados e ficava comida no chão. Com o contentor, isso não acontece.” Segundo ele, porém, nem sempre há separação correta dos resíduos. “O que está escrito no contentor é que é só (para) lixo orgânico, mas muita gente mistura tudo”, incluindo materiais recicláveis. Para a aposentada Lúcia Lopes, de 74 anos, faltou uma campanha de informação inicial. “A Prefeitura tinha que ter informado melhor pela mídia. Eu não vi nenhuma reportagem explicando como usar”, afirma. Ela também relata problemas. “As pessoas mudam a caçamba de lugar, deixam a tampa aberta, enche de água e começa o mau cheiro. Tem que ter penalidade, porque, sem fiscalização, não funciona”, avalia. Ainda assim, “hoje eu vejo menos rato na rua, porque os sacos não ficam mais no chão”. Volume de resíduos baseia total de recipientes por bairro A Prefeitura informa que os bairros com mais contentores são Macuco, Estuário, Boqueirão, Embaré, Aparecida, Ponta da Praia, José Menino e Campo Grande. Os locais foram definidos com base na quantidade de resíduos gerados pelas moradias do entorno. Também são considerados critérios técnicos como largura da calçada, esquinas, guias rebaixadas, faixas de pedestres e espaços que não comportariam uma vaga de estacionamento adequada. A Prefeitura ressalta que, caso haja movimentação indevida, os contentores devem ser recolocados em seus pontos de origem. A manutenção, segundo o Município, é periódica, com vistorias por fiscais. É possível pedir reparos pela Ouvidoria Municipal, que atende no telefone 162. Uso correto A Prefeitura orienta que só resíduos orgânicos devem ser descartados nos contentores, sempre embalados e dentro da capacidade dos recipientes e do horário de coleta. Os contentores não substituem as lixeiras públicas de concreto, que continuam sendo destinadas ao descarte imediato de pequenos resíduos, como embalagens. E é proibido instalar lixeiras particulares permanentes nas calçadas. Lixeiras particulares fixas em calçadas são proibidas, diz Prefeitura (Alexsander Ferraz/ AT) Uso indevido A Reportagem viu contentores sendo utilizados como barreiras para impedir a passagem de veículos em pontos da Zona Noroeste. Na Rua Joaquim Teixeira de Carvalho, no Bom Retiro, dois deles foram posicionados de forma a bloquear a via. O mesmo ocorreu na Rua Caminho da Divisa, no Rádio Clube. Questionada sobre o uso irregular dos contentores como barricadas, a Prefeitura não respondeu até a publicação desta matéria.