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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Com praia interditada e vazia, animais 'invadem' a orla de Santos; fotos

Fotógrafo santista simula com criatividade o que seria a presença de animais nos jardins. Resultado impressiona

Imagine estar caminhando pela orla de Santos e dar de cara com uma ema em frente ao Posto 3. Ou sair para aquela corridinha na areia e encontrar uma iguana sobre a ponte do Canal 4. E um veado campeiro transitando pelas alamedas dos jardins? Que tal?

A depender da imaginação do fotógrafo santista Marcos Piffer, essas não seriam cenas tão incomuns assim. Com autorização da prefeitura, o renomado fotógrafo passou uma manhã captando imagens da orla santista, agora vazia e interditada por conta da pandemia do coronavírus.

Vazia de pessoas, Piffer a encheu de animais, em um trabalho de sobreposição de imagens que confere ao resultado final uma aparência quase real para os ambientes cotidianos da cidade. As imagens que ilustram esta matéria são uma parte do trabalho, fruto de uma mente criativa e inventiva. “É como se os animais estivessem retomando seu lugar na natureza, já que não há mais pessoas ali”, diz Marcos Piffer, conhecido nacionalmente por trabalhos envolvendo natureza,  arquitetura, esportes, paisagens urbanas e atividades humanas.

Ema ao lado de posto na orla de Santos (Foto: Divulgação/Marcos Piffer)

Despretensioso

Piffer saiu fotografando de forma despretensiosa, diz, e quando voltou para casa pensou: “por que não convidar os animais a ocupar esses lugares?”. E foi assim que colocou o veado campeiro no jardim, um atobá e uma garça-azul na mureta do canal, uma iguana na ponte, uma ema no Posto 3, um guará-vermelho em cima do poste.

Saindo da praia para os bairros, um bicho-preguiça em cima de uma árvore da Rua Azevedo Sodré, e até um quati de cauda-anelada perto da Hospedaria dos Imigrantes, na Vila Nova. “É um processo criativo, mas sem pretensões. Ainda não sei o que farei depois”, avisa o fotógrafo, também professor universitário.

No início do ano, foi também um processo criativo que deu origem à exposição “Perdidos na Infância - uma arqueologia praiana do plástico”, ainda à disposição na área externa do Aquário Municipal.

Esse trabalho é o produto final de uma coleta curiosa, feita na beira da água do mar, durante dezenas de caminhadas pela orla, no ano passado. Piffer foi coletando brinquedos e restos de objetos ligados à infância trazidos pela maré. São cabeças de boneca, pazinhas, baldinhos, o que sobrou de um caminhãozinho, bola, chinelos infantis e um sem-número de outros objetos. 

Recolhidos pelo fotógrafo, foram levados para casa, fotografados e catalogados. O resultado é um convite à reflexão sobre diversos aspectos: o descarte de objetos de plástico na natureza, o fluxo do lixo que chega à orla pela maré e até a história de cada brinquedo e seu destino final.

Nas andanças que fez durante a pandemia e com autorização da prefeitura, Marcos Piffer também fotografou novos brinquedos que chegaram à praia, agora vazia de outros lixos, os lixos que os banhistas não estão mais deixando na areia.

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