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Domingo

9 de Agosto de 2020

Colégio Acácio é devolvido à Prefeitura de Santos

Centro Paula Souza oficializa desistência sobre imóvel, que ainda não tem destino

O antigo colégio Acácio de Paula Leite Sampaio, na Vila Nova, continua com o destino indefinido. Por falta de recursos para a reforma, o Centro Paula de Souza (CPS) oficializou a devolução do imóvel para a Prefeitura de Santos, que ainda não sabe o que fará do prédio.  

A solicitação para a entrega do imóvel para a Prefeitura consta em ofício assinado pela diretora-superintendente do CPS, Laura Laganá, datado de 17 de junho passado.  

No documento endereçado ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), e obtido com exclusividade por A Tribuna, o órgão paulista informa o arquivamento do projeto de utilização da área. No ofício, a entidade também pede ao Município assumir a segurança do local, que é feita por uma empresa terceirizada e custeada pelo Estado.

O documento contradiz o que a Prefeitura vinha afirmando desde que o órgão paulista desistiu de usar o espaço. A municipalidade alegava que a área estava sob gestão do Estado, portanto não tinha qualquer responsabilidade sobre o local.

“A instituição não se omitiu da responsabilidade de manter a vocação educacional do colégio Acácio de Paula Leite Sampaio, realizando estudos para garantir a melhor utilização do espaço. O local, porém, necessitava de uma ampla reforma e não há previsão financeira para esse investimento”, informa o CPS.

Em nota, a Prefeitura de Santos afirma que o ofício passou pelo “trâmite devido e chegou à Secretaria de Governo nesta semana”. E que a Administração vai estudar alternativas para a utilização do imóvel.

Histórico

A cessão do imóvel para o Governo Paulista ocorreu em 2013. A ideia era que o local abrigasse a terceira unidade da Escola Técnica Estadual (Etec) de Santos – a Cidade já conta com cursos públicos na Escolástica Rosa, no Centro, e Aristóteles Ferreira, no bairro Aparecida.

Pelo acordo, o CPS ficaria responsável pela remodelação interna da construção, tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). Um orçamento prévio para a adequação do espaço foi realizado pelo arquiteto Décio Tozzi, autor do projeto original.

O estudo indicou que a reforma custaria cerca de R$ 9 milhões. As cifras foram os principais motivos para o órgão paulista declinar do projeto. A decisão foi informada pelo coordenador de infraestrutura do CPS, Hamilton Pacífico, durante audiência pública na Câmara dos Vereadores, em abril passado.

“Ter um edifício para ensinos em uso é um contrassenso no Brasil, que precisa e muito de educação”, sustenta Tozzi. Ele é defensor da utilização do espaço para a preservação e manutenção do imóvel. “Não pode ficar parado e deve ter um uso. O escolar é o mais digno e importante ao País”.

Em nota, a CPS informa ter criado o Novotec, programa que tem como objetivo oferecer novas oportunidades de profissionalização para os jovens. A estratégia prevê a otimização dos espaços de escolas estaduais. “Com a implantação do programa, não haverá necessidade de construir ou reformar novos prédios para aumentar o número de vagas”, diz, em nota. 

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