Célia Almeida nasceu em São Paulo e mora em Santos desde 1931 (Alexsander Ferraz/AT) “Graças a Deus, são 102 anos bem vividos”. Célia Duarte de Almeida, uma das mais antigas assinantes de A Tribuna completou mais um ano de vida há uma semana. No sábado, a família se reuniu para comemorar. “Eu achava que só ia viver até os oitenta”. Na verdade, essa foi a idade em que decidiu parar de dirigir. Nascida em São Paulo em 4 de setembro de 1923, Célia mudou-se para Santos em 1931. Teve sete irmãs e guarda com carinho a rotina que mantém até hoje: “A Tribuna de manhã é sagrada”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar de um mundo on-line, ela e o filho mais novo, que mora com ela, preferem o impresso. “Quando era solteira, não tínhamos muito jornal, porque o papai trabalhava e não comprava todos os dias”. Aos 22 anos, casou-se e passou a ser assinante. “A primeira coisa que a gente pegava na porta, de manhã”. ‘Amolação’ “Todos os netos têm uma maneira de amolar a avó”, ela diz, brincando. O engenheiro Raphael Gutierrez, 45 anos, por exemplo, veio dos Estados Unidos especialmente ‘amolar’ a avó em sua festa. “Tem gente de Piracicaba, São Paulo, Barueri, Santos... e ainda tem uma na Austrália, que não conseguiu vir. Ela é a âncora da família, todo mundo fica em volta dela”. Célia e o ex-marido nasceram no mesmo ano, com menos de um mês de diferença. “Ele morreu muito cedo, com 66 anos”, lamenta. Foram 44 anos e meio de casamento, seis filhos (quatro homens e duas mulheres), oito netos e sete bisnetos. “Tenho uma médica, um engenheiro, um advogado, uma psicóloga, uma fonoaudióloga, uma jornalista e uma empresária”, enumera, orgulhosa. “Todos se formaram e seguiram suas vidas”. O segredo da longevidade Qual o segredo da longevidade? “Ter a mente ocupada e despreocupada com o futuro”. Durante 40 anos praticou pintura em porcelana. Também gosta de ler. Além do jornal, os livros ocupam uma estante na sala. “Não penso muito, deixo para lá e agradeço: a vida se torna mais leve”. Está no caminho certo: a saúde, aos 102, impressiona. A única queixa? “A memória. Às vezes esqueço, mas logo me lembro”. Nada que ofusque a caminhada. “Me sinto realizada. Acho que estou cumprindo a minha missão”.