EDIÇÃO DIGITAL

Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Cemitérios de Santos apresentam insegurança e problemas aos munícipes

Em todos, nota-se a ausência de placas, quadros e obras. Os criminosos miram itens de bronze e alumínio, pois têm mercado

Muitas das campas e ossários dos cemitérios municipais de Santos se tornaram apenas armações de concreto, sem nomes, fotos ou textos saudosos. A falta de informação e de respeito com os que já se foram é decorrente da ação de criminosos. Eles furtam placas e itens de bronze para vender. O resultado: muita história e dinheiro perdidos. 

“Uma placa de bronze custa R$ 350,00. Agora mandei fazer de gesso. Furtaram cinco das seis placas com fotos da campa. Não achei fotos iguais às que estavam lá”, lamenta a pensionista Ester Vieira Barbosa, de 78 anos, que tem familiares sepultados no Paquetá.  

Diferente de Ester, que ainda encontrou imagens para substituir as antigas, o aposentado Fernando Pires, de 54 anos, não teve a mesma sorte. “Nem as fotos do meu avô e meu tio tenho mais. Eram de 1975. É triste. Deveria haver mais segurança na Areia Branca”.  

Em ambos os casos, as vítimas foram indicadas a procurar a Ouvidoria Municipal. A resposta, segundo Ester e Fernando, foi de que a situação seria avaliada, mas nada mudou e os bens furtados não voltaram ao lugar de origem. 

Constatação 

A Tribuna passou pelos cemitérios da Areia Branca, Filosofia (Saboó) e Paquetá. Em todos, nota-se a ausência de placas, quadros e obras. Os criminosos miram itens de bronze e alumínio, pois têm mercado. A pior situação é na Areia Branca, onde outros problemas ficam evidentes. 

“Sempre visito familiares na Areia Branca e a situação é péssima. Há sujeira, mato nas campas e abandono. A Prefeitura não conserva o local”, diz a dona de casa Maria de Fátima de Freitas, de 51 anos.  

Muitas das campas no cemitério estão danificadas e há queixas sobre mosquitos, mato alto e descarte de garrafas de bebidas alcoólicas. “Nada muda, nem mesmo depois da queda do muro (em 2018)”, reforça Maria.  

Prefeitura e Polícia Civil detalham ações 

Em nota, a Prefeitura diz fazer serviços de zeladoria diariamente nos três cemitérios, que também recebem manutenção rotineiramente. O último trabalho deste tipo foi em agosto.  

O Município informa ainda que, na primeira quinzena de agosto, na Areia Branca, restaurou a necrópole Cruzeiro das Almas, cortou a grama de áreas descampadas cortada e aparou o mato sobre jazigos. “Sobre as oferendas, o trabalho inclui o recolhimento destes materiais”, informa. 

Sobre a insegurança, a Guarda Civil Municipal (GCM) pontua que há patrulhamentos preventivos nos cemitérios, com equipes em viaturas durante 24h. Detalhe, inclusive, que ações do tipo ajudam a coibir casos como o de 28 de agosto, no Paquetá, quando uma equipe da GCM deteve um rapaz com peças de bronze retiradas dos túmulos. 

A Prefeitura reforça que os três cemitérios contam com câmeras de monitoramento e a população pode fazer denúncias pelos telefones 153 e 0800-177766. 

Já a Polícia Civil esclarece, em nota, que todos os registros de roubos e furtos em cemitérios são investigados. Há ações em locais suspeitos de receptação de peças furtadas. “O registro do BO é importante para que os casos sejam investigados e os suspeitos, identificados”.