Segundo Censo do IBGE, há em Santos 224.520 pessoas que se declaram católicas apostólicas romanas (Alexsander Ferraz/AT) Os dados divulgados pelo IBGE no recorte sobre religião do Censo 2022 mostram a cidade de Santos como um importante polo de diversidade de crenças e doutrinas. O catolicismo é maioria, com 58,98%, mas divide espaço com outras religiões, segundo o levantamento. De acordo com o IBGE, existem em Santos 224.520 pessoas que se declaram católicas apostólicas romanas. O grupo que vem em seguida é dos evangélicos, com 14,39% da população (54.777 pessoas). Já os espíritas representam 7,67% dos santistas (29.196 pessoas), enquanto os praticantes da umbanda e candomblé são 2,13% do total (8.115 pessoas). Ainda de acordo com o IBGE, seguidores de tradições indígenas são 0,03% do total (120 pessoas), enquanto outras religiosidades somam 6,23% do total (23.726 pessoas). Já os que se declaram sem religião somam 10,45% do total (39.781 pessoas). Não sabem ou não declararam 0,11% da população santista (427 pessoas). Os dados ajudam a entender como os moradores da região lidam com a fé — seja nas mais diversas doutrinas, seja na opção de não exercê-la. “A religião continua sendo um elemento muito presente na sociedade brasileira”, analisa o doutor em Ciências da Religião e professor de Teologia na Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). Marcos Paulo Monteiro da Cruz Bailão. Na comparação com o Censo de 2010, por exemplo, havia 276.590 católicos apostólicos romanos, 56.470 evangélicos, 31.876 espíritas, 646 praticantes de candomblé, 1.657 de umbanda e 2.335 das duas religiões, além de 1.471 budistas, 300 praticantes do islamismo e 471 judeus. Já os que se declaravam sem religião 15 anos atrás somavam 34.380 pessoas. Nacional O movimento local segue, em parte, a tendência nacional. No País, o Censo de 2022 aponta redução no percentual de católicos — hoje 56,7%, contra 65,1% em 2010 — e crescimento tanto de evangélicos (de 21,6% para 26,9%) quanto dos que se declaram sem religião (de 7,9% para 9,3%). “A análise da linha histórica, desde o primeiro Censo, em 1872, mostra uma curva constante: queda no número de católicos — que eram praticamente 100% no início da série — e avanço gradual de evangélicos, espíritas e de outras expressões religiosas”, explica Bailão. Ele ressalta que crenças, como umbanda, candomblé e espiritismo ganharam visibilidade. “Uma análise mais aprofundada pode indicar se isso está diretamente ligado às campanhas por mais tolerância e reconhecimento, que buscam combater a invisibilidade e promover aceitação social desses grupos”. “O campo religioso no Brasil é extremamente dinâmico. A circulação de pessoas entre as diferentes tradições não só é intensa, como também cresce a cada década”, complementa Bailão. Recortes do Censo revelam detalhes por gênero e cor No site do IBGE, constam alguns recortes da pesquisa sobre religião. Um deles fala sobre a divisão por gênero. Entre os católicos apostólicos romanos de Santos, a maioria é de mulheres (54,87%), contra 45,13% de homens. Já entre os evangélicos, as mulheres também são maioria, com 57,63% contra 42,37% dos homens. Entre os que se declaram sem religião, a maioria é masculina, com 54,23% do total, contra 45,77% das mulheres. Já com relação à cor ou raça, 61,77% dos brancos são católicos, enquanto 11,87% são evangélicos e 1,93% é de adeptos de umbanda e candomblé. Entre os pretos, 49,38% são de católicos apostólicos romanos, enquanto 19.38% são de evangélicos e 3.52% praticam umbanda e canbomblé. Já entre os de cor ou etnia amarela, os católicos são maioria, com 58.06%, contra 4,73% dos evangélicos e 0,68% de umbanda e candomblé. Quanto aos pardos, os católicos lideram com 54,15%, enquanto os evangélicos somam 20,33% e os praticantes de umbanda e candomblé têm 2,35%. Por fim, entre os indígenas, também os católicos são maioria, com 59%, contra 22,68% dos evangélicos.