Os criminosos geralmente seguem em direção ao centro da cidade com os equipamentos (Arquivo pessoal/ Luiz Fernando Alvarez) Moradores do bairro Vila Mathias, em Santos, estão enfrentando uma série de furtos de portões nas últimas semanas. Luiz Fernando Alvarez, de 46 anos, que trabalha com Tecnologia da Informação (T.I.), relatou à reportagem de A Tribuna a insegurança crescente na região. Ele afirmou que, nos últimos 15 dias, diversos vizinhos tiveram seus portões roubados e até a residência onde mora foi alvo de criminosos no dia 16 de março. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “É uma sensação de insegurança muito grande. Eles vêm à noite, sabem exatamente o que vão fazer, e a gente acorda assustado com o barulho. Não podemos nem dormir tranquilos em nossas próprias casas”, disse Luiz, que mora na Rua Luís de Camões. Ele explicou que os furtos de portões, que antes aconteciam com menos frequência, aumentaram nos últimos dias e têm gerado um grande transtorno financeiro e emocional para os moradores. Segundo Luiz, os criminosos agem de forma rápida e premeditada, levando os portões com facilidade e sem serem interrompidos. Ele destacou que, apesar de já ter registrado boletins de ocorrência e buscado ajuda na Prefeitura e na Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), ainda não percebeu melhorias no patrulhamento policial da região. “Não vejo rondas da Polícia Militar ou da Guarda Municipal à noite. Eles (criminosos) agem com muita tranquilidade, como se soubessem que não vão ser pegos”, afirmou. Além do prejuízo financeiro, que em seu caso foi de R\$ 4 mil para fazer um novo portão, Luiz mencionou que a situação tem deixado os moradores em constante preocupação com a possibilidade de invasões mais graves. “O medo é que, depois de levar o portão, eles tentem invadir nossas casas”, explicou. Luiz também observou que, após os furtos, os criminosos geralmente seguem em direção ao Centro, o que para ele levanta a hipótese de que alguém esteja comprando os portões roubados. A bacharel em Direito Vitória Rodrigues, de 29 anos, outra moradora do bairro, contou que sua casa foi atacada no ano passado, quando os bandidos levaram as valetas do portão de sua garagem. Ela registrou uma ocorrência na Prefeitura, mas não teve retorno. Em fevereiro deste ano, no dia 18, seu portão de entrada foi furtado durante a tempestade que assolou a Baixada Santista. “Estávamos com medo da chuva e quando fomos olhar, o portão já tinha sumido”, disse Vitória. Além disso, ela informou que, no dia seguinte, a vizinha também teve o portão levado e, dois dias depois, outro crime ocorreu na mesma rua. A sensação de insegurança é grande na área, e Vitória comentou que outras pessoas também estão sofrendo com a violência. Ela lembrou de uma vizinha idosa de 90 anos, que morava há mais de 20 no local, e que deixou a casa onde morava por medo de invasões. “Ela foi embora porque estava com muito medo", relatou. Embora Vitória tenha feito vários registros na Prefeitura e na polícia, não obteve ajuda. “A gente fica sem saber o que fazer”, desabafou. Ela também percebeu que muitas pessoas em situação de rua circulam pelo bairro, algumas com comportamento suspeito. “Eles ficam observando e voltam à noite para furtar”, explicou. A insegurança está afetando o cotidiano dos moradores. Vitória, por exemplo, afirmou que não anda mais sozinha à noite. “Sempre vou com meu marido ou minha tia, não me sinto segura para sair sozinha”, disse. Além disso, ela está pensando em instalar câmeras de segurança, mas não acredita que isso resolva completamente o problema. Respostas A Tribuna entrou em contato com a SSP-SP, que, por meio de nota, informou que as forças de segurança seguem empenhadas no combate à criminalidade em todo o Estado, incluindo na região de Santos. Segundo a pasta, como resultado dos trabalhos realizados pelas forças de segurança na área do 4° DP da cidade, ao longo de 2024, os roubos em geral apresentaram queda de 22,53% em relação ao ano anterior, enquanto os furtos recuaram 7,69%. A secretaria também destacou que a Polícia Civil não localizou registros com as características informadas pela reportagem e reforça a importância do registro do boletim de ocorrência para que os casos possam ser devidamente esclarecidos, os autores identificados e responsabilizados. Por fim, ressaltaram que o policiamento ostensivo e preventivo da Polícia Militar é reorientado com base nos dados estatísticos da região e denúncias da população. A reportagem de A Tribuna também entrou em contato com a Prefeitura de Santos, que, por meio de nota, informou que o combate e investigação de crimes, bem como outras questões de Segurança Pública, são responsabilidades das autoridades policiais, que têm total apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), por meio do seu efetivo e do Centro de Controle Operacional (CCO), onde a Polícia Militar tem acesso ao videomonitoramento (24h) do CCO. Segundo a Administração Municipal, a GCM faz o patrulhamento em todos os bairros da Cidade, entre ele a Vila Mathias, onde há também câmeras interligadas ao CCO. Por fim, destacaram que a população pode acionar a GCM pelo telefone 153 e a Polícia Militar (PM) deve ser acionada pelo telefone 190.