Casarão na orla segue em processo de recuperação em Santos

Imóvel que por 30 anos abrigou a Escola Estadual Dona Escolástica Rosa é um dos patrimônios históricos e arquitetônicos da cidade

Foi preciso que mais de 200 caçambas de mato fossem retiradas para que um dos patrimônios históricos e arquitetônicos mais expressivos da orla de Santos pudesse ser visto melhor: o imóvel que por 30 anos abrigou a Escola Estadual Dona Escolástica Rosa, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, na Aparecida.

Quem passa em frente à antiga escola do Estado tem a sensação de que o complexo está abandonado, mas depois do mato retirado, vêm agora as ações mais complexas e que demandarão recursos e tempo: a limpeza, desinfecção e descupinização de quase todos os ambientes, incluindo pisos e paredes.

A história do prédio da Escolástica Rosa vem sendo acompanhada pelos santistas em capítulos, desde que o Governo do Estado desocupou o prédio no início do ano passado, com a transferência dos alunos do ensino técnico para outro local.As chaves só foram entregues ao dono, a Santa Casa de Misericórdia Santos, em agosto e, desde então, seguiu-se um processo de vistoria técnica e avaliação das condições daquela área, uma das mais nobres da Cidade.

A Tribuna teve acesso, esta semana, ao interior do imóvel, e o cenário que se tem é de deterioração. No pátio principal, os arcos que formam a principal silhueta da arquitetura estão desgastados e com alvenaria à mostra; as paredes e o teto expõem gambiarras elétricas; há marcas de infiltração e umidade por toda parte. Em muitas paredes das antigas salas de aula, percebe-se que camadas de tinta encobriram uma pintura artística que existia quando da fundação da escola, em abril de 1934. Sujeira e ninhos de pombos compõem o cenário. Nem todas as construções que integram os 4 mil metros de área construída são tombadas pelo patrimônio: apenas o prédio principal, a capela de Dom Bosco e a casa do diretor, que assim se chamava porque o diretor do antigo Instituto Dona Escolástica Rosa, como foi concebido, morava ali.

Os telhados já foram recuperados pela Santa Casa, mas começar o projeto de revitalização histórica dependerá, antes, do levantamento que a irmandade aguarda de uma empresa especializada na área de patrimônio arquitetônico. “Já contratamos o escritório que fará esse levantamento, e depois precisamos submeter o projeto de recuperação ao Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Arquitetônico de Santos),diz o diretor-administrativo da Santa Casa, Augusto Capodicasa.

O FUTURO

Higienizar e descupinizar os ambientes levarão de três a quatro meses, segundo o diretor, com recursos da própria Santa Casa. Capodicasa não tem estimativa de quanto será necessário para a etapa seguinte, a recuperação histórica e arquitetônica, mas descarta que a irmandade queira novamente alugar para algum órgão público. “O Estado ficou aqui por décadas e deixou dessa maneira.Não vamos ter todo esse trabalho e gastos para correr esse risco novamente”.

Segundo o diretor, a ideia da irmandade é buscar parcerias que ofereçam o espaço para atividades abertas à sociedade, como artísticas, culturais, de economia criativa, tecnologia e inovação. “Estamos em busca desses parceiros. Não há qualquer intenção de vender ou abandoná-lo, pelo contrário, queremos que seja de toda a comunidade”.

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