Moradores de Santos que estavam no Havaí, receberam o alerta (Arquivo Pessoal) Viajar para o Havaí sempre foi um dos maiores sonhos do casal Julia Carrilo de Moraes, de 29 anos, e Pablo Henrique, de 33. No entanto, por alguns instantes, a tão esperada viagem se transformou em um pesadelo. Durante a estadia, eles receberam um alerta de evacuação devido ao risco de tsunami, causado por um terremoto de magnitude 8,8 registrado na Península de Kamtchatka, na Rússia. Moradores de Santos, os dois precisaram subir uma montanha em busca de abrigo. O abalo sísmico em Kamtchatka aconteceu na manhã de quarta-feira (30), no horário local. Ainda era noite de terça-feira (29) no Brasil. O tremor também foi detectado no Japão e no estado do Havaí, nos Estados Unidos, o que levou as autoridades a emitirem alertas preventivos. As ondas chegaram à costa durante a madrugada. Tensão A jornalista conta que, no momento em que recebeu o primeiro alerta, estava em um passeio por uma montanha, com duração aproximada de três horas, incluindo paradas. O trajeto era isolado, sem sinal de celular ou internet. Em um dos últimos pontos, já a cerca de duas horas e meia do hotel onde estavam hospedados, eles receberam a notificação. “Quando a gente recebeu o primeiro alerta, começou a tocar o celular sem parar. Achamos até que era um carro pifando, porque é um barulho muito, muito forte. E a gente tem o celular no silencioso. Tomamos um susto. Depois, vimos que era o celular, com alerta de tsunami”. Sem sinal, o casal recebeu apenas o alerta de tsunami, mas não conseguia acessar sites, WhatsApp ou qualquer outro meio de comunicação para entender o que, de fato, estava acontecendo. Como nunca haviam passado por uma situação parecida, Julia conta que eles ficaram desesperados e nervosos. Uma das decisões foi retornar e parar em algum café ao longo da estrada, na esperança de conseguir mais informações e entender se aquilo era comum na região. No entanto, os alertas continuavam surgindo, o que fez com que concluíssem que a situação era grave. “Vamos voltar pro hotel e entender o que tá acontecendo pra ver o que a gente faz, porque um alerta falava pra evacuar o mais rápido que pudesse, para lugares altos”. Abrigo na montanha Segundo a jornalista, um congestionamento começava a se formar, pois eram cerca de 17h e o próximo alerta indicava que a primeira onda estava prevista para as 19h. Muitos carros estavam subindo a montanha, e o casal decidiu não retornar ao hotel, optando por seguir morro acima para buscar abrigo. O casal buscou abrigo na montanha (Arquivo Pessoal) “Ficamos na montanha até meia-noite, uma hora, dentro do carro, esperando. Mas, graças a Deus, foram ondas pequenas. Teve bastante ventania, mas o local, a ilha que a gente está, não foi realmente atingida”, destaca. Esse era o segundo dia de viagem do casal, que deve retornar na noite desta sexta-feira (1) para o Brasil. Ir para esse destino sempre foi um sonho para ambos, e o pesadelo ficou restrito ao momento dos alertas. Conforme Julia explica, agora eles já estão mais tranquilos. Mobilização dos havaianos A mobilização das pessoas durante o alerta foi tranquila e organizada. De acordo com a moradora de Santos, o povo havaiano permaneceu calmo, ajudando-se mutuamente. Muitos subiram para os montes em segurança. Enquanto a preocupação era geral, o clima era de colaboração. O casal também foi ao mercado para comprar alimentos, já que estavam apenas com a roupa do corpo. Mesmo diante da tensão, havia solidariedade entre os moradores. Como não houve danos significativos na ilha onde estavam, a mobilização pós-alerta foi mínima.