Carrefour é alvo de protesto em Santos: 'O povo negro que está sofrendo'; VÍDEO

Manifestantes fecharam a pista da avenida sentido Centro/praia e aguardam para falar com representantes da unidade do Boqueirão, que está com as portas fechadas

Negros, brancos, homens e mulheres estão misturados em frente ao Carrefour da Avenida Conselheiro Nébias, em Santos, num ato de repúdio ao assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças na noite de quinta-feira (19), em unidade do Carrefour de Porto Alegre. São mais de 200 participantes pedindo o fim do racismo e novas medidas de segurança e garantia de direitos por parte da empresa.

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Os manifestantes fecharam a pista da avenida sentido Centro/praia e aguardam para falar com representantes da unidade, que está com as portas fechadas.

Um dos participantes do ato, Maykon Rodrigues dos Santos, defende que normalizar a morte negra também é racismo.

Protestos em frente ao Carrefour de Santos (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

"O Carrefour é responsável pelo que aconteceu, pois diz que tomará diversas ações e nunca faz nada. Já temos outros casos como esse".

Para ele, é fundamental combater o racismo estrutural, que está enraizado na sociedade.  "A fala não é exclusividade de negros e negras, é importante que todos estejam unidos nessa causa. Mas somos os protagonistas dessa luta, pois é o povo negro que está sofrendo, morrendo e ficando nos piores lugares da sociedade".

Quem concorda com ele é a dona de casa Maria Cristina dos Santos, que desceu de seu apartamento para apoiar a causa quando soube o que estava acontecendo. "Todos devemos participar. É uma luta da sociedade geral. Venho para mostrar minha solidariedade diante de tantos absurdos".

O militante da União de Negras e Negros pela Igualdade, João Roberto de Jesus Filho, acredita que as manifestações nas duas unidades do Carrefour foram “extremamente satisfatórias”. “O Carrefour tem vários casos de racismo. A questão principal que une todos aqui hoje é a invisibilidade do negro. Estamos aqui pelo João, mas por cada negro morto no Brasil. Outros atos devem acontecer para acabar com o racismo estrutural, mas todos os protestos devem ser pacíficos”.

Personagens

Crente que a educação é transformadora e segue sendo o melhor caminho para vencer preconceitos, a funcionária pública Gloria Costa, de 39 anos, foi até o protesto em Santos. E na melhor companhia: na do filho Samuel Wilson, de 6 anos.

“Não consigo concordar com as injustiças e acredito que elas vêm da raíz. Em casa, falo de desigualdade e diferenças”, explica Gloria, que é uma das lideranças da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. “Cristo defendeu e se jogou pelas minorias. A mudança não vai cair do céu. Temos de lutar e correr atrás”.

Samuel Wilson, de 6 anos, participou do ato pedindo o fim do racismo (Foto: Alexsander Ferraz)

O servidor público André Leandro da Silva Nascimento, de 46 anos, nasceu e cresceu na favela. Começou a se entender na década de 90, lá pelos 20 e poucos anos. “Muita gente tem dificuldade de aceitar um homem negro, engajado e que ande de cabeça erguida. Estamos sufocados com essa repressão”, desabafa.

Para ele, não adianta navegar sozinho na luta contra o racismo e é preciso ser igual também na prática. "Temos de nos ver iguais nos direitos não apenas na teoria. Por mais que se tenha preconceito, é preciso respeitar. Não podemos mais ser privados de educação, trabalho e livre viver”, diz André Leandro.

André Leandro diz que o negro é assassinado inclusive quando não tem acesso aos direitos que lhe deveriam ser garantidos (Foto: Alexsander Ferraz)

O servidor público lembra que o assassinato de negros no Brasil não acontece só de forma física, mas também na perda de direitos. “Isso acontece todos os dias, somos ‘apagados’ nas periferias e privados de espaços importantes”.

 

Em São Vicente

Mais de 50 pessoas protestam em frente ao Carrefour de São Vicente, no Jardim Independência, num ato de repúdio ao assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por dois seguranças na noite de quinta-feira (19), em unidade do Carrefour de Porto Alegre. Com cartazes pedindo o fim do racismo e com um sistema de som que dá voz aos participantes, eles se reuniam por volta das 9h30.

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