Estudos, realizados no Orquidário, são raros, mas importantes para compreender a vida selvagem (Alexsander Ferraz / AT) Pesquisadores detectaram bactérias super-resistentes em um urubu e uma coruja do Orquidário de Santos, no litoral de São Paulo. Clones da Escherichia coli, frequentemente associados a infecções hospitalares em humanos, foram identificados no sistema digestivo das duas aves silvestres. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A bactéria está presente na flora intestinal de pessoas e animais, mas gera preocupação por demonstrar resistência a diferentes antibióticos de relevância médica. O professor Fábio Sellera, da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), disse ao g1 Santos que animais selvagens de várias partes do mundo têm carregado bactérias resistentes. O estudo realizado no Orquidário, além de verificar a presença de colonização nas aves, também examinou as características genéticas das bactérias. Segundo o professor, a resistência bacteriana, geralmente associada a ambientes hospitalares, tem se expandido também para ecossistemas naturais. Ainda não se sabe ao certo como os animais foram contaminados, mas uma das hipóteses é que, por viverem em ambientes naturais, já estejam expostos a bactérias resistentes. O pesquisador ressaltou que não há motivo para pânico. Apesar de a situação ser preocupante, estudos como esse são fundamentais para compreender melhor o cenário atual. O estudo O levantamento avaliou 49 animais do Orquidário. As amostras foram coletadas com o uso de swab estéril, aplicado no reto (mamíferos), na cloaca (aves e répteis) ou obtidas por meio das fezes, em um procedimento considerado simples. Embora colonizados, os dois animais não apresentavam infecção, apenas eram portadores da bactéria. O urubu havia chegado debilitado, com múltiplas fraturas, e acabou sendo eutanasiado. Já a coruja, em processo de reabilitação há dez anos, permanece sem sintomas. De acordo com o professor, os estudos realizados no Orquidário são raros, mas importantes para compreender a vida selvagem. Para ele, deveriam ser rotina, mesmo que atualmente aconteçam mais por interesse científico do que por prática institucional. Entre os autores do trabalho estão os alunos Bruna Garcia e Matheus Silva, da Unimes, orientados por Sellera, e Guilherme Paiva, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação do professor Nilton Lincopan.