Nas praias do José Menino e da Pompeia, em Santos, vegetação do jundu se destaca e é monitorada por um grupo técnico, a fim de que seja preservada (Alexsander Ferraz/ AT) Quem caminha entre os canais 1 e 2, em Santos, no litoral de São Paulo, percebe uma mudança: trechos da praia têm manchas verdes que podem até parecer mato. Mas não é mato, tampouco desleixo: é a natureza recuperando território. Trata-se do jundu, vegetação nativa essencial para proteger a orla contra a erosão costeira, o avanço do mar e ressacas. Por sua importância, a Prefeitura a preserva e monitora. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O engenheiro agrônomo e professor da Universidade Católica de Santos (UniSantos) Cleber Ferrão explica que o jundu reúne espécies nativas das dunas e faixas arenosas da costa brasileira. Segundo ele, essa vegetação serve de barreira natural, fixando areia e protegendo o ecossistema litorâneo. “É essencial para manter as dunas e prevenir a erosão costeira. As plantas estão crescendo naturalmente entre a faixa de areia e o jardim da praia e funcionam como uma proteção importante contra o avanço do mar”. Para Ferrão, o reaparecimento espontâneo indica recuperação ecológica e reforça a necessidade de evitar pisoteio e interferências nesses trechos. “Devemos preservar o jundu porque ele protege a praia. Sem ele, a areia vai embora, a erosão aumenta, e as ressacas causam mais danos”. Prefeitura Essa vegetação era comum nas praias santistas até a década de 1970. A Prefeitura faz um monitoramento permanente e dividido em três trechos: da Divisa com São Vicente ao Emissário Submarino, do Emissário ao Canal 1 e do Canal 1 ao 2. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello, a vegetação tem reaparecido desde a pandemia de covid-19, quando a frequência às praias diminuiu ou, mesmo, foi proibida. Ele ressalta que o jundu é protegido por lei e integra a restinga. “O jundu tem funções ecológicas importantes, não só na fixação da areia e na proteção costeira, mas também como abrigo para a fauna praial”, complementa. No Programa Santos Sustentável, ação da Administração Municipal para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, há um eixo voltado ao jundu, com ações de preservação. Neste semestre, criou-se um Grupo de Trabalho Técnico com membros de secretarias municipais e universidades, por exemplo. “A conscientização ambiental é fundamental, porque muitas vezes confundem o jundu com mato, como se fosse falta de zeladoria. Por isso, trabalhamos manejo, orientação e sinalização”.