EDIÇÃO DIGITAL

Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Após nove anos fechada, Sala Princesa Isabel tem restauro em reta final

Sede do legislativo santista até 2011, espaço guarda fragmentos da história recente da Cidade e obras de arte. Sofisticação e bom gosto são marcas do local, que é um dos pontos de visitação do Paço Municipal

Os vitrais a descrever a Liberdade, a Justiça, a Caridade e a Nacionalidade da Sala Princesa Isabel testemunharam, nas últimas sete décadas, o desenrolar da democracia de Santos. E, por nove anos, o antigo palco da representatividade popular e centro nervoso da política santista manteve as portas fechadas. Um novo sopro começa a surgir: após delicado e extremamente técnico, a suntuosa  edificação está na reta final de restauro. 

O trabalho minucioso revela a beleza da decoração eclética, com inspiração neoclássica, marcas de um conjunto harmônico como o Salão Nobre (local de encontros oficiais da Prefeitura). Os dois espaços fazem parte do Palácio José Bonifácio, sede do Executivo santista e ponto turístico da região 

Decorada em 1939 para abrigar a Câmara Municipal, a sala tem plenária e duas galerias com 59 lugares. “Para finalizar o restauro faltam uns acabamentos de pintura e outros detalhes a acertar nas tubulações do ar-condicionado, para não deixá-las aparentes”, diz o engenheiro Bruno Watanabe, da Secretaria de Infraestrutura e Edificações. 

Quadro de Princesa Isabel passa por restauro durante reforma (Divulgação/PMS)

Segundo ele, o imóvel ganhará um novo sistema multimídia, tela em LED e sonorização. Complementando o contrato da reforma, teve início o restauro da tela da Princesa Isabel, que fica exposta no ponto focal do espaço. O projeto de restauro da Sala Princesa Isabel é assinado pelo arquiteto Ney Caldatto. 

Restauro 

A reforma teve início com a raspagem de pequenos pontos da parede para pesquisar a cor original do espaço. O serviço compôs o mapeamento dos danos que permitiu a recuperação. Depois, foram feitos testes de cor das paredes, com auxílio do cromatógrafo, aparelho que analisa os diversos componentes da amostra. 

Outra equipe recuperou 16 arandelas e 11 lustres menores, todos em cristal da Bohemia – marca renomada desse tipo de material, usada por reis e rainhas e símbolo de delicadeza e sofisticação.  

O destaque ficou para o restauro do lustre principal, pendurado no centro do teto da Sala Princesa Isabel, que foi retirado e desmontado para o trabalho. A peça tem 2,9 metros de altura, 2 metros de diâmetro e pesa cerca de 300 quilos. Os cristais são suspensos por fios de cobre.  

Dois vitrais superiores, que foram instalados aparelhos de ar-condicionado, passaram por recuperação. A climatização não interferiu nos detalhes da sala que ainda apresenta parte da fiação de pano (fio trançado em tecido), original da época da construção. 

Um conjunto de oito painéis, incluindo imagens de Martim Afonso e de uma caravela, também recebeu os cuidados dos restauradores. O capitel, faixa decorativa no alto da parede que rodeia toda a sala e os ornamentos localizados acima passaram por limpeza. A restauração incluiu o piso em madeira que foi lixado, calafetado e recebeu nova resina, novo carpete e a revisão dos circuitos elétricos. 

Novo Centro Velho 

A reforma do espaço que ditou por quase 70 anos a política da Cidade faz parte do programa Novo Centro Velho, um conjunto de serviços de conservação e restauro para revitalizar prédios públicos do Centro Histórico de Santos e conta com recursos do Governo do Estado.  

O programa compreende restauro e recuperação do Teatro Guarany, Casa do Trem Bélico, Casa da Frontaria Azulejada, Armazém de Bagagens, Rodoviária Municipal, Teatro Coliseu, Arquivo Histórico Municipal e das escadarias do Monte Serrat e do Mosteiro do São Bento, investimento total de R$ 44 milhões.

Tudo sobre: