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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Aluno cria projeto urbanístico para a Ponta da Praia, em Santos

Trabalho de Conclusão de Curso do hoje arquiteto Leonardo Lameira apresenta urbanização à área de geobags, contra ressaca

Está nas escolas e universidades o futuro do País. Quem, durante a vida universitária, não ouviu: aqui é o espaço de criar, inovar e fazer diferente? Com esses atributos, o recém-formado arquiteto Leonardo Lameira Dantas de Oliveira desenvolveu um projeto urbanístico para a Ponta da Praia, em Santos. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para o curso de Arquitetura, apresentado na Universidade Santa Cecília (Unisanta), recebeu nota 10 e, sem dúvida, agradaria a muitos moradores e turistas. 

O jovem de 23 anos terminou os estudos em dezembro do ano passado, mas ao longo do processo e finalização do TCC chamou a atenção do orientador do curso, Nelson Gonçalves de Lima, ex-secretário municipal de Desenvolvimento Urbano da Cidade, que apresentou o profissional a A Tribuna

Oliveira conta que, ainda em 2016, em meio às discussões e estudos para controlar a erosão e ressaca na Ponta da Praia, surgiu a ideia de otimizar um espaço que seria criado por pedras para reduzir o impacto do mar na costa. Sobre essa estrutura seria criada uma área de lazer. 

Hoje, a Prefeitura tem uma parceria com a Unicamp, que já iniciou o projeto-piloto com geobags (sacos de areia) que reduzem a força das ondas nas muretas e permite a criação de bancos de areia na área protegida. No entanto, naquela ocasião, muito se falava de um outro estudo, apresentado pela Universidade de São Paulo (USP), o qual foi tomado como base pelo estudante. 

O projeto 

Hoje, geobags redirecionam a maré, combatendo a ressaca e a erosão na Ponta da Praia (Foto: Rogério Soares/AT)

Com base no cenário apresentado pela USP de um projeto definitivo, Oliveira imaginou a criação de uma concha acústica, deck para ver a movimentação dos navios, restaurantes, área de lazer vertical, espaço cultural, área para pesca, malha cicloviária e um farol para guiar os navios. 

Tudo estaria disposto sobre um espigão (obra perpendicular à costa, como o Emissário Submarino) de 700 metros por, em média, 20 metros de largura. A área de pesca, que substituiria o atual deck do pescador, recém reparado após ter sido destruído pela ressaca, seria mais ampla, com 50 metros de largura. 

“Seria legal apresentar o projeto para o prefeito (Paulo Alexandre Barbosa, PSDB). Estamos na faculdade, mas olhamos o contexto de tudo o que acontece na Cidade. Cada um tem uma visão diferente, mas os esforços e objetivos são os mesmos (desenvolver o melhor para o município)”. 

De acordo com Oliveira, a estrutura para conter a erosão e ressaca seria aproveitada de forma a valorizar a região e a população que precisa de mais áreas de lazer. “Achamos uma utilidade em cima do projeto da USP. Esse trabalho arquitetônico e urbanístico supriria uma carência que o município e cidades vizinhas têm de áreas verdes e espaços culturais”.

Sustentabilidade 

O projeto está no papel. Trata-se de um produto criado para o TCC, mas Oliveira informa que se a Prefeitura quiser implementá-lo no futuro, o custo estimado é de R$ 80 milhões. O valor é expressivo, mas o estudante ressalta os impactos positivos, como a valorização dos imóveis da Ponta da Praia e do turismo. 

“O nosso projeto traria uma maior integração ao Município. Hoje temos a cidade verticalizada. Cada um tem seu playground e área de lazer no condomínio. Faltam espaços de convivência.” 

Sobre a manutenção do espaço, Oliveira explica que tudo foi pensado e projetado para que o equipamento autossustentável. 

“O piso e a concha acústica são de concreto, a ciclovia é de concreto armado, o deck de observação é de madeira. O destaque, porém, fica para o telhado do deck de pesca, que fizemos de bambu, algo barato e fácil de arrumar. Além disso, tem o espaço para quatro permissionários no restaurante, que podem gerar renda de manutenção”.