A memória de uma família passa pelos registros dos acontecimentos ao longo do tempo. Em fotos e vídeos, eles permitem voltar ao que ocorreu e, a quem não vivenciou, ter uma ideia de como era. Agora, imagine isso em uma Câmara de Vereadores e a quantidade de informações acumuladas e guardadas por décadas. Pois o acervo do Legislativo de Santos será digitalizado, em processo com tempo estimado de um ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao todo, serão restaurados 1.611 fitas VHS, 415 rolos de áudio e 372 fitas cassete, totalizando 2.398 mídias analógicas. As gravações abrangem o período de 1974 a 2011. As mídias estão armazenadas de forma a minimizar danos, mas sujeitas à deterioração natural devido ao tempo e à falta de reprodução</CW>. Por não ter infraestrutura adequada para digitalizar e conservar esses materiais, a opção foi a contratação, mediante concorrência pública, de duas empresas: a Redxcorp Produção e Locação, de Santana do Parnaíba (SP), e a Tempo Real Produção e Comunicação, do Rio de Janeiro. Serão investidos R\$ 192.160,65. “A gente possui muito acervo de imagens e de áudios em formatos que hoje só se tem arquivado e não há como não preservar essa história da forma que está. Não dá pra simplesmente jogar fora porque a tecnologia mudou, mas usar isso a nosso favor. A digitalização otimiza recursos e espaço físico, mas se trata de mais: é deixar um legado para que as pessoas consigam acessar”, afirma o presidente da Câmara, Adilson Júnior (PP). Ele deseja que o material digitalizado seja consultado na futura Escola do Legislativo e Cidadania, no prédio onde funcionava a Escola Acácio de Paula Leite Sampaio, com previsão de entrega, após reforma, para o segundo semestre de 2026. Desafio A Tribuna viu parte do acervo que será digitalizado. O desafio de descobrir os conteúdos será digno de um garimpo. Faltam dados precisos sobre o conteúdo de cada mídia, fora datas e tipo de eventos (sessões ordinárias, audiências públicas e solenidades). Uma exceção é uma mídia de formato único: um pequeno rolo que, conforme bilhete na embalagem, tem o áudio de um discurso do então presidente da República Humberto Castelo Branco, em visita à antiga Cosipa, em Cubatão, em 1966. “Os rolos começaram a ser usados em 1974 e foi assim até 1991. Depois, começaram a usar a fita cassete pra gravar o áudio, e posteriormente, as fitas VHS passaram a ser usadas também, mas apenas para gravar áudios. Como alguns modelos comportavam até seis horas de gravação, gravavam a tela preta só com áudio”, descreve o chefe da Divisão de Áudio e Vídeo da Câmara, Riccieri Pataro. Segundo ele, quando o material voltar digitalizado, ele será revisto e o “quebra-cabeças” das sessões legislativas, montado na medida do possível. “Era assim: estava ocorrendo uma sessão: se a fita acabou, tiraram e botavam outra. Existia o rito de suspender a sessão pra trocar a fita e continuar em outra fita. Aí sobrava espaço, começava outra sessão. Vamos ter todo o resgate do conteúdo na íntegra”. Trabalho de formiguinha Ao lado dos técnicos em audiovisual, Genildo Lima, e de som, Eurico Araújo Nascimento e Adriano Eustáquio Silva, ele realizou um trabalho de formiguinha para juntar o acervo, espalhado por diversos pontos do prédio da Câmara. “A gente foi pegando essas partes fragmentadas, vendo o que era rolo, o que era fita, colocou nas caixas e tentou separar por ano. A ideia é que as empresas levem um material mais fracionado”, sinaliza Pataro.