Animais são utilizados para treinamentos esportivos e terapêuticos, como a equoterapia. “É um projeto de vida”, afirma sócia administradora (Alexsander Ferraz/AT) O cumprimento de uma ação de reintegração de posse tem deixado apreensivos donos e funcionários do Centro Hípico Santista (CHS), no Morro Nova Cintra. A decisão judicial, que pode ser executada a qualquer momento, põe em risco a integridade de 35 cavalos que vivem no espaço, onde são utilizados para treinamentos esportivos e terapêuticos, como a equoterapia. O estabelecimento funciona há 13 anos no local. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O fechamento da Hípica seria, para muitos desses animais, o fim de uma vida segura. Isso é algo inaceitável para quem respeita a vida. O centro não é só um negócio, é um projeto de vida”, afirma a sócia administradora do CHS, Liliane Campagnone Rodrigues Valles. Os animais não teriam para onde ir. Muitos são idosos, e não há vagas em outras hípicas, já distantes de Santos. “Há pacientes de equoterapia (crianças carentes com problemas físicos e neurológicos) que vão ter o tratamento interrompido. Há pessoas que trabalham lá, que dependem do próprio salário para sobreviver, algumas que moram na Hípica e não têm para onde ir”, emenda um dos advogados que representam o CHS, Bruno Ferreira Souza. Filha de Liliane e ex-professora da escolinha no local, Patrícia Rodrigues Valles reforça a preocupação com os animais. “Os idosos, por exemplo: não se conseguem achar pessoas que vão comprar esses animais. E, ainda por cima, eles sentem dor e têm tratamento de homeopatia (...). Tem idosos de 29 anos, por exemplo. De resto, tudo se resolve. Mas é desesperador.” Centro Hípico Santista faz parte de uma briga, que dura décadas, de condôminos de uma área abandonada (Alexsander Ferraz/AT) Cuidados necessários A médica-veterinária Letícia Carvalho Barrio afirma que os cavalos devem manter rotina, com ração e volumoso (feno e alfafa) de forma fracionada ao longo do dia, e eles precisam sair das cocheiras para se movimentar. Segundo ela, os cavalos devem estar com os exames de AIE (anemia infecciosa equina) e mormo (doença infectocontagiosa) em dia, com uma guia de transporte animal para transportá-los para o novo destino. “Eles precisam de cocheiras individuais, de pelo menos 3,5 por 3,5 metros, e um local para que possam ser soltos ou trabalhar por um momento do dia”. Ela descarta sacrificar os animais. A briga judicial O Centro Hípico Santista faz parte de uma briga de condôminos de uma área abandonada, iniciada entre as décadas de 1940 e 1950, quando um grupo de amigos decidiu comprar a área para loteamento, mas não chegou a se tornar dono dela. “Mesmo assim, eles tinham um documento dizendo que, um dia, eles poderiam se tornar donos e que iam fazer aquele loteamento. A área foi abandonada, depois foi invadida, desapropriada, virou área de preservação ambiental. E aí, mais de meio século depois, a Hípica se instalou em uma parte daquela terra”, afirma o advogado Bruno Ferreira Souza. Segundo ele, a parte da área onde hoje está a Hípica foi antes usada uma das pessoas envolvidas nesse condomínio e que, tempos depois, a entregou à entidade. “O condomínio processou essa condômina por causa disso. E, dessa briga judicial entre os condôminos, a hípica não participou, não foi citada, nem conseguiu se defender.” O advogado acrescenta que a hípica impetrou ação (embargos de terceiro), pedindo para suspender a ordem de reintegração. Foi acatada por liminar, mas o Tribunal de Justiça do Estado restabeleceu a ordem de reintegração. A Tribuna não obteve retorno do advogado que representa o condomínio. A Prefeitura informou não ter sido procurada pela direção do Centro Hípico Santista, “mas está à disposição para avaliar a necessidade de apoio”.