Santos, Guarujá e São Vicente precisam de R$ 77 mi para ações reparatórias às chuvas de março

Deslizamentos causaram as mortes de 45 pessoas nas três cidades

Guarujá, Santos e São Vicente colocaram pouco mais de R$ 83 milhões em verbas federais, estaduais e recursos próprios para a recuperação das áreas afetadas e em auxílio a famílias atingidas pela tragédia ocorrida em março, após as chuvas torrenciais que afetaram a região, deixando 45 mortos. Mas os recursos ainda não são suficientes para atender todas as necessidades. Seriam precisos, pelo menos, mais R$ 77 milhões.

Esse valor é o restante dos R$ 107,4 milhões solicitados à União pelas três cidades, para reparar os danos. Desde março, o Governo Federal liberou apenas R$ 30,4 milhões desse total. 

Guarujá ficou com a maior parte das verbas destinadas pelo Governo Bolsonaro: R$ 20,5 milhões. A Cidade também foi a mais atingida pelas chuvas e registrou 34 mortes.

O primeiro repasse, no valor de R$ 3,2 milhões, foi liberado em abril; o segundo, de R$ 17,2 milhões, saiu no final de junho. A Cidade também recebeu R$ 23,4 milhões do Estado e utilizou R$ 1,5 milhão dos cofres próprios para obras, totalizando R$ 45, 4 milhões.

Esses recursos estão sendo utilizados para limpeza e remoção de entulho, provenientes dos deslizamentos e para recuperação de unidades de saúde atingidas, limpeza e desobstrução de galerias pluviais das ruas do entorno das áreas. 

O Município recebeu ainda R$ 23,4 milhões do Governo do Estado, que estão sendo usados para as obras de contenção no Morro do Macaco Molhado. Cerca de 30% das intervenções já foram executados.

“Para evitar novos deslizamentos, a empresa contratada está projetando concreto na parte superior do morro para impermeabilizar o solo. Também estão sendo colocados os tirantes do solo grampeado que em um segundo momento receberão malha de ferro e nova camada de concreto”, informa em nota o Município.

Drenagem

Além disso, o sistema de drenagem, que irá captar águas pluviais, e escadas de dissipação de energia, estão sendo construídos para impedir que as águas desçam com maior velocidade e causem danos.

Quem mora no local conta que está mais tranquilo, mesmo após o temporal dos últimos dias. É o caso da cabeleireira Juliana Santos, 25 anos. “Não deu uma chuva igual a de março e estamos vendo as obras em andamento, então a gente fica mais sossegado”.

Porém, outros pontos afetados, como os morros Barreira de João Guarda, Cachoeira, Engenho e Vila Baiana, necessitam de obras de contenção. O Município informa que pediu mais recursos para o Governo Federal para contemplar esses locais.

Enquanto isso, o pedreiro de obras José Carlos Enéas da Silva, 47 anos, diz que o pessoal da Barreira do João guarda vive sobressaltado cada vez que o tempo fecha.

“A situação está pior. A gente teme novos desabamentos, porque está descendo mais árvores com as últimas chuvas. Nem conseguimos dormir. Levei meus filhos para casa de colegas. Estou até perdendo dias de trabalho por conta disso”.

Em Santos e São Vicente entraram valores diversos 

Em Santos, foram solicitados ao Governo Federal R$ 15,4 milhões. Entraram nos cofres públicos até agora R$ 9,8 milhões para obras de restabelecimento das condições de segurança a cargo da Secretaria de Serviços Públicos (Seserp). Há, ainda, obras de reconstrução, sob cuidados da Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Sied), que estão em processo de preparação de licitação (veja detalhes no quadro).

Já o Estado liberou quase R$ 15 milhões para seis obras emergenciais no Morro São Bento, que estão em andamento e têm prazo de finalização previsto para setembro. Há, ainda, verbas municipais. Porém, o dinheiro não é suficiente para realizar todos os procedimentos necessários, informa o Município, em nota.

“O desastre foi de grandes proporções e os recursos não são suficientes para todas as obras, mas atendem às intervenções emergenciais. Serão necessários recursos para este ano e para os próximos para atender a todas as demandas apontadas pela Defesa Civil, também com obras preventivas”.

São Vicente

Já a Prefeitura de São Vicente informa que recebeu do Executivo Federal, para atendimento às famílias atingidas pelo desastre, R$ 164,9 mil. Valores utilizados em ações imediatas de socorro e assistência, como cestas básicas, kit higiene pessoal, água mineral, colchão e kit para atendimento a idosos e crianças e mais R$ 1,8 milhão para execução de obras. 

A Prefeitura iniciou a fase de cotação de preços para execução dos serviços. Com relação aos recursos do Governo do Estado para a realização de obras emergenciais. Não houve repasses municipais. 

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedup) informa que aguarda aprovação do Governo Federal para liberação de aproximadamente R$ 15 milhões. “O recurso será destinado a obras de contenção das encostas que sofreram deslizamentos”. 

Área do Morro São Bento foi uma das mais afetadas em Santos e terá obras em uma das encostas (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Valores e obras

Guarujá

Governo Federal

Solicitados cerca de R$ 77 milhões. Liberados R$ 20,5 milhões. Do total, R$ 17 milhões estão sendo utilizados para limpeza e remoção de entulho, provenientes dos deslizamentos. Os outros R$ 3,5 milhões, destinados para recuperação de unidades de saúde atingidas, limpeza e desobstrução de galerias pluviais das ruas do entorno das áreas. 

Estado

Liberados R$ 23,4 milhões, utilizados para iniciar as obras de contenção do Morro do Macaco Molhado. Cerca de 30% das intervenções já foram executadas.

Município

Foram R$ 1,5 milhão em contrapartida para recuperação do Morro do Macaco Molhado.

Santos

Governo Federal

Solicitados R$ 15,4 milhões. Liberados: R$ 9,8 milhões. Destinação: obras das secretarias de Serviços Públicos (Seserp), Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Sied) e Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds).

As obras

Restabelecimento emergencial da edificação e da encosta do equipamento público Arena Santos: R$ 593,4 mil

Edificação da sede da Subprefeitura da ZOI: R$ 786, 6 mil

Ajuda humanitária para famílias: R$ 187,7 mil

Demolições de moradias interditadas em área de risco (morros José Menino, Marapé, Pacheco, Monte Serrat, São Bento, Saboó e Santa Maria e vias Nossa Senhora de Lourdes, Antonio Loureiro, e Santa Margarida): R$ 4,1 milhões

Preparação para licitação

 Morro Pacheco - Trecho de encosta entre ruas 8 e 7: R$ 11 milhões 

Morro Fontana - Av. Nossa Senhora Do Monte Serrat (ao lado do 1.793): R$ 837,2 mil 

Morro São Bento (trecho de encosta entre a rua Santa Mercedes e Complexo Esportivo Marina Magalhães): R$ 2,1 milhões

Caixa Econômica Federal

Solicitados R$ 1 milhão para de demolição de habitações em áreas de risco no Morro da Penha, Morro Jabaquara/Morro São Bento e ainda retirada de descarte de resíduos sólidos, além de recomposição de rede de drenagem no Morro Santa Maria.

Estado

Liberados R$ 14,8 milhões para obras emergenciais no Morro São Bento, que estão em andamento, com prazo de finalização previsto para setembro.

Município

Foram R$ 3,5 milhões nos seguintes locais:

Morro Santa Maria (remoção e destinação de resíduos do deslizamento) 

Morro da Penha (estabilização e impermeabilização de encosta, regularização de escadaria e execução de guarda corpo)

Morro Nova Cintra (remoção e destinação de resíduos/entulho, oriundos de deslizamento)

Morro do Fontana (serviços de recomposição de escadaria hidráulica, talude e passeio)

Vila Fátima (remoção de imóveis e construções em área de risco)

São Vicente

Governo Federal

Solicitados R$ 15 milhões. Liberados R$ 164, 9 mil para atendimento imediato às famílias, como aquisição de cestas básicas, kit higiene pessoal, água mineral, colchão e kit para atendimento a idosos e crianças.

Há, ainda, R$ 1,8 milhão aprovado para execução de obras. Na última quinta-feira, o Governo federal informou que vai liberar outros R$ 7,6 milhões para reconstrução de áreas afetadas.

Estado

Liberados R$ 10 milhões para realização de obras emergenciais. Os serviços estão em licitação ou em andamento. O valor foi dividido em quatro convênios:

Convênio de infraestrutura de canais (Canal das avenidas Wenceslau Brás e Eduardo Souto) - R$ 3,9 milhões

Convênio de infraestrutura de pavimentação – R$ 3,1 milhões 

Convênio de edificações em escolas (Emef Ercília Nogueira Cobra, na Vila Margarida, e Emef Manoel Nascimento Júnior, no Jóquei Clube) R$ 1,9 milhões 

Convênio de Edificações na Saúde (CAPS II, CATO, UBSs Pompeba e Bitaru) - R$ 874,5 mil 

A verba não contempla a obra de contenção no Parque Prainha.

Município

Não há 

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