Lula e Tarcísio em Santos: adversários, mas com respeito mútuo (Vanessa Rodrigues/AT) A assinatura do edital para construção do túnel Santos-Guarujá, no último dia 27, deixou uma imagem: a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) juntos no mesmo palco. Pode ser um espelho para a relação entre os prefeitos da Baixada Santista e Freitas. Tanto o governador quanto administradores locais pregam alinhamento em prol das cidades. “Nossa gestão tem caráter municipalista”, diz Freitas, em nota para A Tribuna. “Recentemente, estive reunido com todos os prefeitos da região para ouvir demandas, apresentar o que já está sendo executado pelo Governo, o que virá pela frente e onde é possível avançarmos trabalhando juntos” para “transformar a realidade da Baixada Santista”. Os chefes de Executivo citam ganhos com essa proximidade. O prefeito santista, Rogério Santos (Republicanos), vê uma linha de pensamento conjunta em questões como a preocupação com a Zona Noroeste, com obras em habitação e a construção das futuras unidades de Etec e Fatec nessa região. “Acima de ideais políticos, a gente constrói as coisas”, declara. Prefeito de São Vicente e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada (Condesb), Kayo Amado (Pode), vê relação com Freitas “muito boa e bastante produtiva”. Levar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) à Área Continental e incluir a região no programa Rios Vivos, para desassorear rios e canais, são conquistas, diz. Farid Madi (Pode), de Guarujá, afirma que boa convivência com Freitas levará a “novas unidades do Poupatempo, Banco do Povo e PAT na cidade, além dos cursos profissionalizantes do Fundo Social de Solidariedade”. Em Cubatão, César Nascimento (PSD) observa que o governador “colocou como meta a retomada do Polo Industrial de Cubatão, atraindo o interesse de uma série de investidores”. Para Alberto Mourão (MDB), de Praia Grande, o diálogo “positivo” rende, por exemplo, a integração da Cidade ao programa estadual Muralha Paulista e mais parcerias para programas de regularização fundiária. Prefeito interino de Mongaguá, Luiz Berbiz de Oliveira, o Tubarão (União), cita investimentos em limpeza de rios. O prefeito de Bertioga, Marcelo Vilares (União), fala da garantia de mais de 500 moradias populares e saneamento. As prefeituras de Itanhaém e Peruíbe não responderam até o fechamento desta edição. Requer capacidade O cientista político Marcelo Di Giuseppe entende que o bom diálogo surte efeito a depender da capacidade de gestão dos prefeitos. “É sempre bom manter relacionamento, independente da ideologia. Porque, infelizmente, o município fica com a menor parte dos impostos arrecadados no Brasil”. Por isso, um prefeito que não entra em briga, mas luta pela população, é mais útil. “Alguns gestores públicos têm pouca informação do que precisam fazer para realmente atender as necessidades”.