Para o consumidor, a dica é simples: pesquisar, comparar e observar o peso dos produtos (Matheus Tagé/ Arquivo/ AT) O tradicional café da manhã na padaria, um dos rituais mais amados pelos paulistas, pode custar bem mais caro do que se imagina e a diferença de preços chega a impressionantes 540% entre as cidades do Estado. É o que mostra a nova pesquisa do Procon-SP, divulgada em outubro, às vésperas do Dia Mundial do Pão (16 de outubro). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O levantamento comparou valores de produtos típicos do café da manhã em 10 municípios e na capital paulista, revelando que o custo do pão e do café varia drasticamente entre regiões. Enquanto um copo de café coado custa R\$ 3,83 em Presidente Prudente, o mesmo item sai por R\$ 9,61 em São Paulo, uma diferença de 151%. Já o pão de queijo pode custar até R\$ 9,44 na capital — mais que o dobro do valor cobrado no interior. Capital lidera ranking dos cafés e pães mais caros Na cidade de São Paulo, onde 50 padarias foram visitadas, o pão brioche foi o item com maior variação interna de preços: 49%, variando de R\$ 12,40 na Zona Oeste a R\$ 18,43 na Zona Norte. Já o pão francês, queridinho do café da manhã, mostrou mais estabilidade, com variação de apenas 4,55%, média de R\$ 23,29 por quilo na Zona Leste e R\$ 24,35 na Oeste. O café coado também pesou no bolso dos paulistanos: entre as regiões, o preço variou quase 40%. E o clássico combo pão com manteiga na chapa + café coado apresentou 27% de diferença de um bairro para outro. Na comparação com o levantamento de 2024, o combo Bauru com suco de laranja foi o campeão de aumento: subiu 32%, passando de R\$ 29,65 para R\$ 39,08. Já o Bauru com café expresso pequeno ficou 11% mais barato. Interior concentra os menores preços, mas também grandes variações Enquanto a capital puxa a média estadual para cima, o interior paulista continua sendo o melhor destino para quem quer economizar no café da manhã. Presidente Prudente apresentou os menores preços médios em quase todos os itens avaliados, com café coado a R\$ 3,83 e pão de queijo a R\$ 4,33. Mas nem tudo é estabilidade: mesmo nas cidades mais baratas, o consumidor deve ficar atento, já que algumas padarias cobravam mais que o dobro do valor de outras pelo mesmo produto. São José dos Campos: variação recorde de 540% no pão brioche O destaque (ou alerta) do levantamento ficou por conta de São José dos Campos, onde o pão brioche registrou a maior diferença de preços entre estabelecimentos: R\$ 2,50 em uma padaria e R\$ 16,00 em outra variação de 540%. Para o Procon-SP, esse tipo de disparidade reforça a importância da pesquisa de preço e do olhar atento ao peso e à qualidade dos produtos, já que padarias diferentes podem adotar tamanhos, receitas e margens de lucro bastante distintos. Ribeirão Preto e São José do Rio Preto: café com sabor (e preço) contrastantes O café coado foi outro item que expôs o abismo de preços entre estabelecimentos do interior. Em Ribeirão Preto, o mesmo copo de café custava R\$ 15,99 em uma padaria e R\$ 4,00 em outra variação de quase 300%. Em São José do Rio Preto, o cenário foi semelhante: o café na xícara pequena era vendido por R\$ 10,90 em um local e R\$ 2,75 em outro. Diferenças que mostram como o simples hábito de “tomar um café” pode sair do orçamento dependendo da escolha do endereço. Bauru, Sorocaba e Baixada Santista também surpreendem Em Bauru, o combo pão de queijo com café coado teve uma das maiores oscilações: 200% de diferença, com preços variando de R\$ 4,60 a R\$ 14,00. Já em Sorocaba, o bolo indiano, uma iguaria local, apresentou variação de 27%, e na Baixada Santista, o famoso pão de cará, típico das padarias de Santos e São Vicente, teve 40% de diferença entre as casas analisadas. Esses dados reforçam o quanto a cultura e a economia local influenciam o valor dos produtos mais simples e populares do dia a dia. Especialistas alertam: consumidor deve comparar e observar qualidade De acordo com o Procon-SP, o objetivo da pesquisa é orientar o consumidor sobre o custo-benefício, reforçando que, além do preço, o peso e a qualidade dos produtos devem ser observados. “A variação não é apenas resultado de preços abusivos, mas também reflete diferentes padrões de qualidade, receitas e custos operacionais entre as padarias”, explica o órgão. O levantamento também serve como referência para o setor, que tem enfrentado aumento de custos com energia, insumos e aluguel, o que impacta diretamente o preço final ao consumidor. Resumo dos destaques da pesquisa Procon-SP 2025 O que isso significa para o bolso do consumidor A pesquisa do Procon-SP deixa claro que o custo do café da manhã pode variar tanto quanto o preço da gasolina ou da cesta básica. Para o consumidor, a dica é simples: pesquisar, comparar e observar o peso dos produtos antes de escolher onde tomar o primeiro café do dia. Afinal, o pão pode ser francês, brioche ou de cará — mas o que realmente pesa é o quanto ele custa no final do mês.