Caio e Letícia tiveram a ideia na faculdade: hoje, recebem e recolhem o lixo que vira itens de utilidade (Divulgação) Garrafas pet, tampinhas e outros plásticos: lixo? Não: no projeto Paradas, esses itens viram novos objetos, como itens para decorar a casa ou praticar esportes. “Nossa missão é transformar os resíduos plásticos em paradas sustentáveis, para gerar valor e inspirar a consciência ambiental”, explicou a sócia-fundadora da entidade com endereço no Jardim Casqueiro, em Cubatão, Letícia Parada Moreira. Tudo começou na faculdade, em 2022. Letícia cursava Educação Física e o amigo Caio Cesar Reis, Engenharia Civil. Mas a vontade de fazer a diferença para o meio ambiente era idêntica. Os dois participavam de mutirões de limpeza na universidade, até que tiveram a ideia de ir além. “Me incomodava muito ter lixo na praia e eu queria transformar isso em algo útil. Queria fazer a reutilização do plástico para transformar em material esportivo”, relembra Letícia. “Sempre amei o mangue. Via a vida brotar, mas também o lixo, que ameaçava tudo. Juntamos nossas pesquisas e começamos a testar”, complementa Reis. A ideia começou a tomar forma em 2023, quando as primeiras máquinas e produtos foram comprados. “Em vez de derrubar uma árvore para fazer um banco, você pode fazer um tão bom quanto de plástico, por exemplo”, diz Letícia. O plástico é transformado em novas peças, de decoração a esportivas (Divulgação) Plástico velho, produto novo Higienização, separação, aquecimento, trituramento e moldagem. Esse é o processo para que o plástico jogado fora se transforme em algo novo. “É transformar o que degradava em arte. E em utilidade também, usando coisas simples como o que está jogado na praia”. Bancos, chaveiros, utensílios esportivos, brinquedos e itens de decoração são alguns exemplos do que pode se transformar o material. Apesar do projeto ser novo, já possui muitos pedidos de reciclagem, o que abre portas para novos colaboradores do projeto. Durante mutirões de limpeza e ações de ONGs de proteção do meio ambiente, o que é recolhido é entregue para o Paradas, que realiza a transformação. “Com a pauta do ESG em alta, os pedidos aumentam. A gente tem sido requisitado não só para produção dos materiais, mas também para dar palestras”. Conscientização Além das palestras, Caio e Letícia também dão aulas em duas escolas: a UME João Papa Sobrinho, no Gonzaga, em Santos, e a Amei Profª Vera Lúcia Machado Massis, na Cidade Náutica, em São Vicente. “O problema do plástico não é a existência dele. É a ressigni-ficação que você dá a ele”, conclui Letícia.