Presidente do Inep admite possibilidade de adiamento do Enem

Cronograma foi mantido como uma forma de garantir a realização do Enem, ainda que não nas datas anunciadas

“A data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode ser modificada. Mas uma mudança agora é prematura”. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (15) pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, e abre a possibilidade de adiamento. Até agora, as provas estão marcadas para os dias 1 e 8 de novembro. 

As inscrições para o Enem começaram no início desta semana sob diversas manifestações para que a data fosse modificada. O motivo é a pandemia da covid-19 que interrompeu aulas presenciais de escolas e cursinhos. A hashtag #adiaenem se multiplica pelas redes sociais sob a justificativa de que, realizado neste cenário, o Enem prejudicaria muitos estudantes, principalmente, aqueles com menos recursos. 

Alexandre Lopes participou nesta sexta de uma live organizada pela Evolucional, empresa que utiliza tecnologia na educação e é voltada à preparação do Enem. Para ele, não é possível adiar o exame agora porque ainda não é possível estabelecer uma nova data. “Temos que aguardar para poder decidir melhor. Porque depois, ficar mudando a data toda hora será mais prejudicial. Mas a data pode ser mudada? Pode”, garantiu. 

Conforme Lopes, o cronograma foi mantido como uma forma de garantir a realização do Enem, ainda que não nas datas anunciadas. “Para realizar a prova em novembro, há uma série de processos administrativos (para serem cumpridos). O Enem não se faz de um dia para o outro. Só de impressão, são 45 dias”. 

Por isso, Lopes garante que assim que todo o processo burocrático for concluído e estiver tudo pronto para garantir a prova, será possível definir uma nova data.

Necessário

Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães também participou da live e afirmou que estudantes precisam de um posicionamento mais claro sobre o Enem 2020. Para ela, é preciso adiar a prova. 

“Eu já tinha me posicionado contrariamente à divulgação do cronograma para evitar ansiedade e angústia, principalmente, dos estudantes do ensino Médio, tanto público quanto particular”.

Maria Helena alerta que neste momento de pandemia, muitos estudantes estão passando por difíceis seja por conta de problemas de saúde na família ou relacionados à renda. Além disso, é preciso levar em conta os problemas de acesso à educação que muitos estão enfrentando com aulas remotas.

“É absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições nessa situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas. Muitos desses jovens sequer têm acesso às ferramentas necessárias para atividades virtuais e, mesmo que tivessem, sabemos que o aproveitamento do ensino-aprendizagem fica fortemente em defasagem em relação às atividades presenciais”, dizem, em nota conjunta, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União Nacional dos Estudantes (UNE).

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