Logo A Tribuna
ASSINE
Icone usuario ENTRAR
CLUBE IMPRESSO ACERVO ASSINANTE

Família se 'instala' em Praia Grande e implora por ajuda para encontrar turista que sumiu há 1 mês

Ícaro entrou na água para salvar a prima que estava se afogando; família acredita que ele pode ter sobrevivido na mata próxima da praia

Por: Ágata Luz  -  03/03/21  -  13:54
Ícaro Jordan Rosa Nogueira, de 28 anos, desapareceu enquanto tentava salvar a prima no mar
Ícaro Jordan Rosa Nogueira, de 28 anos, desapareceu enquanto tentava salvar a prima no mar   Foto: Arquivo Pessoal

Há quase um mês, a aflição é o sentimento que define os dias da família de Ícaro Jordan Rosa Nogueira, de 28 anos. O jovem desapareceu no dia 7 de fevereiro, após salvar a prima que estava se afogando no Canto do Forte, em Praia Grande. Morador da Zona Sul de São Paulo, o consultor de vendas passava o final de semana no litoral quando sumiu na correnteza. Sem respostas, a família acredita que o jovem pode estar perdido na mata e implora por buscas.


Em conversa com ATribuna.com.br, a esposa de Ícaro, Tamara Rosa Mota, de 28 anos, disse que o jovem sabia nadar e não parecia estar se afogando na última vez em que foi visto. "Estávamos ao lado da reserva do exército e acreditamos que ele possa estar naquela mata", relata. Porém, segundo a analista de negócio, não foi feita nenhuma busca no local.


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! 


No dia do acidente, Ícaro entrou no mar por volta das 16h30 após ver que sua prima estava se afogando. "Corri até a praia do Boqueirão atrás dos guarda-vidas para a prima dele. O Ícaro entrou no mar para ajudar e eu vi quando ele foi se afastando puxado pela maré, mas falaram que não era nada, que eu estava nervosa", relata Tamara.


Segundo a analista de negócio, após as buscas por certo tempo, os profissionais do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) disseram que não podiam mais procurar naquele dia. "Falaram que o corpo ia aparecer", ressalta. No dia seguinte, os guarda-vidas continuaram procurando Ícaro, mas sem sucesso. "Em três dias, falaram que ele iria aparecer na areia e após dez dias falaram que o corpo podia estar pesado no fundo do mar", explica a esposa da vítima.


Tamara Rosa ficou 12 dias no litoral para acompanhar as buscas, porém, teve que voltar para São Paulo: "Tinha que ver nossas filhas". Uma das meninas tem cinco anos e a outra possui apenas sete meses. Ambas sentem muito a falta do pai: "A Helena fica perguntando quando o pai vai voltar para casa e pergunta o por que dele estar demorando tanto. A Heloisa de sete meses só está dormindo com a camisa dele usada, pois era ele quem mais cuidava e a colocava pra dormir todos os dias". 


Ícaro tem duas filhas, uma de 5 anos e outra de 7 meses.
Ícaro tem duas filhas, uma de 5 anos e outra de 7 meses.   Foto: Arquivo Pessoal

As buscas


A família se reveza para sempre ter alguém em Praia Grande cobrando ação do GBMar. "Nunca conseguimos acompanhar as buscas. Quando ligamos, dizem que já fizeram naquele dia ou que iam fazer", explica Tamara.


A esposa de Ícaro revela a esperança de que o jovem esteja na Fortaleza de Itaipu - reserva da Mata Atlântica próxima de onde Ícaro desapareceu - pelo local ser extenso. "Nos disseram que não tinham autorização do Exército para entrar lá, mas eu fui pedir e eles autorizaram", relata.


Porém, segundo Tamara, a família recebeu a notícia de que as buscas só poderiam ser marítimas e os parentes também não tiveram nenhuma orientação sobre outro órgão que possa procurar Ícaro na mata. "Temos medo de irmos sozinhos e acontecer algo ruim. A gente já procurou com drone, alugamos uma lancha e vimos que as pedras ao redor do local são de fácil acesso para alguém subir do mar", ressalta.


Os familiares da vítima também entraram em contato com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai). "Nos falaram que a mata é bem grande e qualquer pessoa fica rodando e para no mesmo lugar. Um rapaz disse que ele já socorreu uma senhora que estava perdida há dez dias", afirma a analista de negócio.


"Para muitos é impossível, mas acreditamos que ele possa ter batido a cabeça em uma pedra e ter perdido a memória, estar perdido", conta. 


Em busca de respostas, a família conseguiu um cão farejador para auxiliar na procura pelo desaparecido. "Mas os profissionais negam", ressalta Tamara. A esposa e mãe dos filhos de Ícaro também diz que já entrou em contato com autoridades do litoral norte, bem como de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, mas não teve notícias de Ícaro.


"A gente espera tanto o pior, como o melhor. Queremos encontrá-lo da forma que for. Se ele estiver sem vida, a família precisa se despedir dele. Esse sentimento é muito ruim", finaliza Tamara.


O GBMar


A reportagem entrou em contato com o Grupamento de Bombeiros Marítimos, que enviou uma nota sobre o caso. Leia na íntegra:


No dia 7 de fevereiro de 2021, por volta das 16h50min, próximo a Avenida Rio Branco na Praia Grande, o Grupamento de Bombeiros Marítimo foi acionado para um afogamento em curso de três vítimas, sendo que uma das vítimas conseguiu sair por meios próprios conseguindo solicitar ajuda e a segunda vítima foi socorrida pelo marido, porém a terceira vítima (Ícaro), segundo testemunhas desapareceu nas águas. As buscas foram feitas do momento do ocorrido até o anoitecer, como também nos dias posteriores, a vítima permanece desaparecida. Informamos que na manhã do dia 1 de março em Itanhaém foi encontrada um corpo na faixa arenosa, que veio a ser reconhecido pelos familiares como a vítima de outro afogamento ocorrido no dia 28 de fevereiro.


Logo A Tribuna