Canto do Forte, bairro dos mais valorizados de Praia Grande: preço do metro quadrado atrai compradores (Alexsander Ferraz/AT) O mercado imobiliário de Praia Grande encerrará o ano mais uma vez como o maior da Baixada Santista. Desde janeiro, a cidade registrou 617 mil metros quadrados em lançamentos, o que representa cerca de 7 mil novos imóveis, segundo o prefeito Alberto Mourão (MDB). “Considerando uma média de três moradores por unidade, isso significa que aproximadamente 21 mil novas pessoas deverão mudar para cá”, diz Mourão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi-SP) mostra que Praia Grande representa mais de 60% dos lançamentos imobiliários e vendas na Baixada Santista. A expansão da Cidade avança há décadas e se consolidou nos últimos anos com números robustos. De acordo com a Prefeitura, de 2021 a 2024, foram construídos 225 edifícios. Além disso, diz a Prefeitura, a cidade é a segunda mais verticalizada na Baixada Santista, com 26,59% de seus moradores em apartamentos. Além disso, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que Praia Grande se consolidou como cidade para morar. O Município possui 257.388 domicílios, sendo 130.030 caracterizados como particulares permanentemente ocupados. Já os de uso ocasional totalizaram 107.402. “As pessoas escolhem Praia Grande para viver, atraídas pela qualidade de vida, mobilidade, oferta de serviços e pelo custo de moradia competitivo. Hoje, já contamos, de acordo com dados municipais, com cerca de 400 mil moradores fixos. Quando somados aos visitantes de um final de semana comum, temos um cenário que demonstra nosso potencial”, afirma o prefeito. Aumenta a demanda por terrenos maiores Quem atua diretamente no mercado da construção civil atesta esse processo de crescimento de Praia Grande. É o caso do arquiteto e urbanista Reinaldo Lozano, diretor na RLozano Engenharia & Projetos. Segundo ele, o salto populacional puxa a demanda por mais moradias e serviços. E mais gente chegando significa busca por mais imóveis seja para morar ou investir. “Em paralelo, isso aumenta a pressão sobre o poder público para investir em infraestrutura, saúde, educação e segurança”, afirma ele. Segundo Lozano, a saturação pode acontecer em nichos mais específicos como estúdios e lofts, além das multipropriedades e time-sharing (modalidade onde tem mais de um dono por unidade ou tempo de uso). “Após a pandemia, houve uma necessidade de condomínios maiores, com mais infraestrutura da área comum, com isso a necessidade de terrenos maiores, o que está ficando difícil. Isso somado ao aumento dos custos com materiais e à escassez de mão de obra, pressiona os preços dos imóveis para cima”, aponta Lozano. O arquiteto acredita que as últimas administrações da cidade se mostraram alinhadas com essa espiral de crescimento. Porém, é importante estar sempre antenado para não criar gargalos. “O que me preocupa bastante são as saídas da cidade, que já demonstram um ponto fraco nos horários de pico”, sinaliza. Queda da Selic alavancará O cenário do mercado imobiliário em Praia Grande para 2026 continua otimista, segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de SP (Creci-SP), José Augusto Viana Neto. Segundo ele, a perspectiva de queda na taxa Selic, atualmente em 15%, é um fator a ser considerado para alavancar as negociações de compra e venda. “Se cair um ponto percentual, milhares de pessoas ficam em condições de financiar uma propriedade. Isso é muito importante. As expectativas são altamente positivas”, completa Viana. Preferências Viana Neto aponta o apartamento com dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro e até duas vagas na garagem como campeão na preferência dos compradores em Praia Grande. “Os imóveis de mais alto padrão (quatro a cinco dormitórios) têm liquidez e há oferta. Já os de um ou dois dormitórios não têm estoque”. O presidente do Creci aponta a flexibilização do Plano Diretor e do Código de Obras como transformadora para tornar mercado atrativo para as incorporadoras. “Da pandemia para cá, Praia Grande foi uma das cidades mais procuradas. Tanto é que muitas pessoas que moravam em Santos venderam seus imóveis em Santos, de dois dormitórios e compram um novo, três dormitórios na cidade vizinha. O metro quadrado mais barato ajuda”, afirma o presidente do Creci.