“O meningococo, embora seja uma única bactéria, tem vários tipos", explica o especialista (Imagem Ilustrativa/FreePik) A morte da estudante Milena do Nascimento Alvarenga, de 11 anos, por meningite bacteriana tipo C, em Praia Grande, no domingo (26), reacendeu o alerta sobre os riscos de transmissão da doença e a importância da vacinação. A aluna da rede municipal estava internada no Hospital Irmã Dulce e era acompanhada pela equipe da Vigilância Epidemiológica. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A reportagem de A Tribuna ouviu especialistas para explicar como ocorre a meningite e quais cuidados devem ser adotados. O infectologista Leonardo Weissmann afirma que a meningite meningocócica tipo C, que vitimou Milena, é uma forma grave e de rápida evolução. “Mesmo com tratamento adequado, a letalidade pode chegar a 20%”. Segundo ele, o tipo C é transmitido por gotículas de saliva e secreções da garganta. Por isso, Weissmann reforça a importância de que pessoas que tiveram contato com a vítima recebam antibióticos preventivos, conforme orientação da Vigilância Epidemiológica. “Essas medidas são eficazes e reduzem significativamente o risco de novos casos”. A doença é especialmente perigosa para crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade, mas também pode atingir pessoas saudáveis. Entre os curados, há risco de sequelas neurológicas, como perda auditiva, convulsões, dificuldades de aprendizado e alterações de comportamento. Doença O infectologista Evaldo Stanislau explica que as meninges são membranas que envolvem o cérebro. “Meningite é uma inflamação dessas membranas. É como se fosse um pão envolto em papel celofane: o papel são as meninges, o pão é o cérebro”. Ele afirma que a inflamação pode ter várias causas, desde reações a medicamentos até infecções. No caso da meningite bacteriana, é provocada pela Neisseria meningitidis, conhecida como meningococo. Stanislau diz que a meningite bacteriana geralmente se manifesta provocando sinais neurológicos, sonolência, confusão mental ou até coma, além de febre alta. “O meningococo, embora seja uma única bactéria, tem vários tipos. Hoje, no Brasil, o mais comum é o tipo C. Houve grande redução das infecções por conta da vacinação. Na superfície da bactéria há antígenos que definem os sorogrupos – A, B, C, W e Y”. Stanislau avalia que a vacinação tem recebido atenção, mas ainda há espaço para avanços. “A ocorrência de casos, mesmo que isolados, mostra que sempre é possível melhorar. A cobertura ideal é acima de 95%, mas temos ficado abaixo disso. É necessário ampliar o acesso e realizar mais campanhas.” Diagnóstico O diagnóstico é feito por avaliação clínica e análise do líquor, obtido por punção lombar, que identifica se há infecção e qual o agente causador. Os sintomas iniciais – febre, dor de cabeça, vômitos e rigidez no pescoço – podem se confundir com os de outras infecções virais, atrasando o diagnóstico se não houver atendimento médico imediato. Outros tipos Existem dois outros tipos de meningite. A viral, que é a forma mais branda, com evolução benigna e sintomas parecidos aos de uma infecção comum, como febre, mal-estar, dores musculares, vômitos, perda de apetite e dor de cabeça. Há, ainda, a fúngica ou tuberculosa, que são mais raras e geralmente afetam pessoas com imunidade comprometida, embora também possam ocorrer em indivíduos saudáveis.