Enzo luta pela vida: a única forma de tratamento é fora do país (Arquivo pessoal) Com apenas 9 anos, Enzo de Carvalho Lima enfrenta uma batalha contra o tempo pela vida. Diagnosticado com um raro câncer no tronco cerebral, ele perdeu a fala e os movimentos logo após os primeiros sintomas. Os médicos lhe deram no máximo um ano e meio de vida. Por isso, a família de Enzo, de Praia Grande, no litoral de São Paulo, criou uma vaquinha on-line na esperança de arrecadar fundos para o único tratamento com chance de reverter o quadro, que está disponível em Miami, nos Estados Unidos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo começou em outubro de 2024, quando Enzo foi diagnosticado com estrabismo. Em janeiro deste ano, ele precisou retornar ao hospital devido a um problema na boca, cujo lado esquerdo ficou travado. Conforme esclarece Cícero Adriano Paz Lima, pai de Enzo, que trabalha com construção civil, mas está afastado para cuidar do filho, aquela paralisação da boca já era um sintoma de que o menino tinha um tumor cerebral. “Ele já não falava mais, apenas conseguia ingerir comida pastosa. Nem andar, ele andava”. O menino precisou, então, ser internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Praia Grande, com um encaminhamento de urgência. Ainda segundo Cícero, o diagnóstico dado pelos médicos para Enzo não foi nada otimista: o menino teria apenas um ano e meio de vida. Depois de algumas sessões de radioterapia e de Enzo receber alta na última quarta-feira de março (26), uma médica informou aos pais que não havia mais opções de tratamento. “Ela olhou para a nossa cara e falou: ‘Olha, pai, não tem o que você fazer mais’. Foi desse jeito”, prossegue Cícero. Não aceitando o diagnóstico, a família buscou uma segunda opinião com uma oncologista de São Paulo, que explicou que não havia opções de tratamento no Brasil, mas mencionou um estudo em Miami, Estados Unidos. Imediatamente, Cícero e o resto da família decidiram participar da pesquisa. Atualmente, Enzo conseguiu voltar a andar, com lentidão. “Já está andando, já está indo ao banheiro sozinho”, afirma o pai. Solução O medicamento necessário para o tratamento de Enzo é oferecido por meio de uma pesquisa em andamento, que investiga sua eficácia para casos como o do menino de Praia Grande. Sua mãe, a dona de casa Tamiris Moreno de Carvalho Lima, explica que o remédio é fornecido gratuitamente e que Enzo já foi aprovado para participar dos estudos. No entanto, a família precisará arcar com todos os outros custos, incluindo as consultas realizadas nos EUA, já que lá não existe o Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, eles estão organizando uma vaquinha onl-ine para cobrir os custos da viagem, das consultas e de tudo o que Enzo precisa. “A gente não aceita o diagnóstico. E eu creio num milagre, todo mundo já viveu algum milagre e eu creio que vou viver o meu. Quando recebi o diagnóstico, cai para trás, o que eu tinha na minha mão era a fé e eu acho que a gente ficou em uma corrente de oração tão grande que, de repente, apareceu essa luz”, destaca Tamiris. Como a mãe ressalta, é uma corrida contra o tempo, pois Enzo só poderá participar do estudo se for agora: “Não pode dar tempo de o tumor crescer”. Câncer no tronco cerebral Esse tipo de tumor se desenvolve na parte posterior da base do crânio, no tronco encefálico, podendo surgir a partir das células da glia, que dão suporte aos neurônios, conforme explica a médica oncologista da clínica Imuno Santos, Ticila Melo. A causa dos tumores primários costuma ser desconhecida, mas, em alguns casos, eles estão associados a outras síndromes ou surgem devido a uma tendência genética. “Os sintomas podem ser variáveis dependendo do tamanho e da localização. Podem surgir problemas de visão, fraqueza ou dormência no corpo, problemas de equilíbrio e para caminhar, dificuldade para engolir, náuseas e vômitos, cefaleias e convulsão”, detalha a oncologista. O tumor é considerado raro e, devido à sua localização, muitas vezes de difícil acesso cirúrgico. “Não tem uma prevenção específica, mas devemos ficar atentos a comportamentos e sintomas inexplicáveis na criança. Manter as consultas médicas em dia”, finaliza Ticila Melo.