Uma criança de 9 anos, com transtorno do espectro autista (TEA), foi agredida por cerca de outras 20 crianças nas proximidades da Escola Municipal Professora Maria Clotilde Lopes Comitre Rigo, no Bairro Esmeralda, em Praia Grande – onde todos estudavam. O incidente ocorreu em 22 de agosto, mas só ganhou amplitude nos últimos dias com a repercussão de postagens nas redes sociais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O menino teria sido agredido ao defender o irmão mais velho, de 11 anos, vítima constante de bullying por estar acima do peso. Em entrevista à TV Tribuna, a mãe da criança, Pâmela Aparecida, relatou os abalos psicológicos que o filho está tendo por conta da agressão. “Ele me pediu para trocar de escola, mas vou aguardar, já estamos caminhando para o fim do ano letivo”, comentou a mãe. Esse, porém, é apenas o caso mais recente. Três dias antes, uma outra situação de violência envolvendo estudantes também chamou a atenção em Praia Grande. Um menino, também de 9 anos, teve a cabeça perfurada por um colega, com um lápis. A agressão ocorreu na Escola Municipal Mahatma Gandhi, no Jardim Melvi. A vítima precisou ser encaminhada para o Hospital Irmã Dulce, onde teve o lápis retirado e tomou pontos na cabeça. Debate Os casos recentes de violência nas escolas foram tema de debate durante a sessão na Câmara de Vereadores, semana passada. Os parlamentares apresentaram projetos e requerimentos para enfrentar o problema. Por parte do Executivo, desde o início do ano, as escolas municipais desenvolvem ações educacionais em razão do Protocolo Antibullying da rede de ensino. Dessa forma, o assunto é debatido com os alunos e a comunidade escolar, seja em palestras ou rodas de conversas, bem como no âmbito da Justiça Restaurativa, desenvolvida em parceria com os pedagogos comunitários. Necessidade do diálogo A neuropsicóloga e psicanalista Dejane Mascarenhas explicou a necessidade dos pais terem uma comunicação aberta com os filhos para entender a rotina escolar, tecendo orientações sobre situações do cotidiano. Também devem observar o comportamento dos filhos: no caso do bullying, as crianças tendem a apresentar mudanças, como apatia. Dejane salientou que a ausência de protocolos na questão da diversidade amplia a possibilidade de bullying contra as minorias. Além disso, ela enfatiza a importância de programas multidisciplinares, com protocolos e materiais educativos, que precisam ser desenvolvidos pelo Poder Público, em conjunto com as escolas. Rede estadual Nas escolas estaduais da Cidade, a situação não é diferente. Em junho, um aluno de 17 anos foi agredido na saída da Escola Estadual Vila Tupi. Ele sofreu um corte no supercílio e tomou três pontos, além de ficar com o olho inchado. Os agressores não eram da escola. Em abril, um estudante de 12 anos foi agredido por outros alunos na saída da Escola Estadual Professor Pedro Paulo Gonçalves Lopes, no Quietude. A vítima sofreu lesões pelo corpo. No ano passado, uma agressão terminou em tragédia: o estudante Carlos Teixeira, conhecido como Carlinhos, de apenas 13 anos, morreu após dois alunos pularem em cima das costas dele, dentro da Escola Estadual Professor Júlio Pardo Couto, no Bairro Nova Mirim, em Praia Grande. Ele morreu após sofrer três paradas cardiorespiratórias. Segundo os familiares, Carlinhos sofria bullying e já havia sido agredido anteriormente.