A erosão acontece quando há perda de materiais, como areia e terra (Alberto Marques / Acervo A Tribuna) O aumento do nível do mar é um processo crescente, intensificado pelo aquecimento global. Desse modo, diversas cidades da Baixada Santista e do resto do litoral de São Paulo já sentem os efeitos do avanço do mar, além da erosão costeira. Devido a esses fenômenos, as praias dos Milionários e Gonzaguinha, em São Vicente, e do Leste, em Iguape, estão desaparecendo e figuram entre os casos mais expressivos da região. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A antiga faixa de areia de Iguape, no litoral sul de São Paulo, é monitorada por especialistas desde o início dos anos 1990. O avanço do mar na região é resultado de múltiplos fatores e, até o momento, não há uma solução definitiva. Moradores locais já perderam casas e comércios por causa da situação. Segundo a geóloga Celia Regina de Gouveia Souza, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), a faixa de areia de Iguape tinha cerca de 50 metros de largura no início do monitoramento, em 1992. No entanto, ela começou a recuar ainda no verão de 1993. “Desde então, a praia foi perdendo sua faixa de areia e sofrendo alterações sistemáticas em sua forma, até desaparecer por completo entre os anos de 2006 e 2007”, explica. Formação da região e ação humana Situada em uma área dinâmica do litoral de São Paulo, a Praia do Leste foi gradualmente comprimida pelo avanço natural de dois pontos: Ilha Comprida, ao norte, e a Praia da Juréia, ao sul. Esse deslocamento de sedimentos acabou pressionando a faixa de areia, que perdeu volume até ser tomada pelo mar. Embora os fatores naturais sejam os principais causadores da erosão, a ação humana também contribuiu para acelerar o processo, especialmente com a abertura do canal do Valo Grande, que passou a direcionar cerca de 75% das águas do Rio Ribeira de Iguape para o Mar Pequeno. Esse desvio provocou o acúmulo de sedimentos na região, favorecendo o avanço de Ilha Comprida rumo ao norte e impactando também o desgaste da orla da vila de Icapara. Os impactos indiretos, no entanto, se estendem por todo o sistema litorâneo de Iguape. O caso de São Vicente A erosão costeira é o processo natural que desgasta e recua a linha da costa pela ação de correntes marítimas, maré, entre outros fatores, e que colabora para o avanço do mar. Em São Vicente, a implantação de uma via que conecta a Ilha Porchat à Praia dos Milionários pode estar intensificando o problema, contribuindo para o avanço do mar e a redução da faixa de areia. Essa obra é uma das maiores contribuições para a erosão na Praia dos Milionários e consequentemente em parte do Gonzaguinha, conforme explica a geógrafa e docente do Instituto do Mar na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Breylla Campos Carvalho. “Ela (a obra) barrou a passagem do transporte sedimentar longitudinal (deriva litorânea), ou seja, os sedimentos ficam presos no Itararé e não chegam até Milionários e Gonzaguinha”. Ainda segundo a geógrafa, as correntes marinhas transportam os sedimentos das duas praias da Baía de São Vicente. Com a ausência de reposição desse material, tem início o processo de erosão costeira. Avanço do mar na mesma região A tradicional Praia do Gonzaguinha, em São Vicente, também vem enfrentando os efeitos do avanço do mar e da redução de sua faixa de areia desde a fundação do município, em 1532. Na década de 1950, o espaço era amplo o suficiente para montar uma rede de tênis, jogar tranquilamente, colocar guarda-sóis e até caminhar pela areia até a Ilha Porchat. Atualmente, essa praia sofre com a erosão costeira e a diminuição da faixa de areia disponível.